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quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Pão de Banana e Aveia - porque a Meghan Telpner é a maior.

Pão de Banana e Aveia - porque a Meghan Telpner é a maior.

Esta receita é uma reprodução da receita da nutricionista canadiana, Meghan Telpner. Para além de ser uma das minhas nutricionistas favoritas é também a minha chef de eleição. Sigo o blog dela desde o início quando a Meghan ainda gravava os episódios da Meghan TV na sua cozinha antiga e na sua pequena casa de banho ( não, ela não cozinhava na casa-de banho! Eram vídeos sobre higiene corporal.) A Meghan enquadra a arte da cozinha num conjunto holístico de práticas que considera serem as de um estilo de vida o mais saudável possível.


Meghan Telpner, foto por Catherine Farquharson

Para além de cozinheira e nutricionista a Meghan é uma pessoa realmente inspiradora. Uma advogada de defesa do estilo de vida saudável num todo, ela tem-se tornado uma figura publica com uma mensagem poderosa.

A Meghan cresceu e foi um prazer acompanhar virtualmente este percurso que foi sempre feito com uma ética extrema e uma coerência admirável. Hoje em dia tem um livro best-seller, o UnDiet, uma série de episódios na Meghan TV onde para além de nos ensinar receitas super saudáveis e deliciosas, ensina-nos dicas para levar uma vida mais concentrada e responsável, a todos os níveis. Convida médicos famosos para debater questões pertinentes de forma educada e realista, coisa que muitos “gurus” da saúde falham em fazer. Na minha opinião, isso desacredita-os, quando não estão dispostos a por à prova da ciência as suas declarações. A Meghan, faz o oposto. Para além de escrever livros, gravar vídeos, fazer entrevistas e imensas aparições em vários canais de media, a Meghan também dá cursos e workshops e realiza regularmente eventos online.

Para além disso, as receitas não são aborrecidas nem sem sabor. São infalíveis na execução e ela oferece sempre montes de soluções para substituir ingredientes mais complicados. Acreditem, eu já experimentei muitas e é raro uma receita da Meghs dar errado! Oh não, chamei-lhe Meghs como se fossemos amigas, é o derradeiro sintoma do stalker virtual!

Ok, em frente, você querem é a receita não é? 


servi com puré de frutos vermelho e sementes de sésamo preto. Podem servir simples, com chocolate quente, puré de frutos.
Então, esta receita de pão de banana e aveia só fiz uma vez e só mesmo duas pessoas é que provaram, eu incluída, claro! Ainda não estava bem frio quando já não havia nada. É porque não apetece parar de comer nunca. Para além de ser delicioso e doce, tu sabes que aquilo te está a fazer bem pela quantidade de nutrientes que injectaste ali. Este pão é quase um bolo porque é doce do mel cru que leva mas também há pão doce por isso, este não é nem um bolo nem um pão tradicional mas uma mistura de ambos.

Podem ver a receita original aqui (Banana and Oats Bread) e show some love à Meghan que ela merece.<3

Aqui vai a minha reprodução. Espero que gostem e que não se deixem intimidar se às vezes os ingredientes parecem inacessíveis. Muitas das coisas dá para fazermos nós mesmos e poupar imenso dinheiro enquanto nos certificamos da qualidade daquilo que consumimos.

Por exemplo, a farinha de arroz integral é super fácil de fazer em pequenas quantidades, para utilizar na hora. A farinha de milhete ( buckwheat) , a de aveia, a de amêndoas, são todas feitas da mesma forma. Basta terem uma boa liquidificadora, colocar lá para dentro os pequenos príncipes e pulverizar durante alguns minutos. Depois, passar por um passador e têm farinha de tudo o que vos apetecer. Arroz, lentilhas, feijão, amêndoas, coco, aveia. 
para a farinha de arroz, só precisam de colocar os grãos numa liquidificadora potente e depois filtrar  o resultado com um passador. 

Digam-me por favor se experimentarem a receita e mostrem-me as vossas inspirações. Se adaptarem algum ingrediente e funcionar, partilhem para podermos todos aprender.

Pão de Banana e Aveia | Receita

120 g de farinha de arroz integral*
120 g de flocos de aveia integrais
1 cc de bicarbonato de sódio
2 ½ cc de fermento **
1 cc de canela em pó
3 ou 4 bananas maduras, esmigalhadas
1 chávena de chá de puré de maçã ***
¼ de chávena de chá de azeite virgem extra
2 ovos
1/1 chávena de chá de mel cru
1 cc de extracto de baunilha
1 pitada de sal marinho

    * experimentem fazer a vossa própria farinha. Só precisam do arroz, de uma liquidificadora e de um passador. Não se esqueçam que com este método apenas devem fazer farinha suficiente para usar na hora. Como o arroz não foi demolhada e seco ao calor depois, esta farinha não dura quase tempo nenhum por isso este processo não é bom se quiserem fazer grandes quantidades de farinha para reservar. Utilizem este métodos só para farinha para usar na hora.

    ** para substituir o fermento comprado nas lojas com alumínio, podem juntar bicarbonato de sódio (fácil de encontrar em supermercados, na zona das especiarias) e cremor de tartáro ( bitartarato de potássio, existe à venda em lojas de produtos para confeccionar bolos ou pode sr encomendado online. Também dá para comprar e encomendar em farmácias)

    *** puré de maçã é super fácil de fazer. Eu faço sempre na hora de usar. Só precisamos de maçãs, azeite ou óleo de coco, água e sumo de limão. Ferver tudo e quando a maçã estiver mole de cozida, basta esmigalhar com um garfo.



Processo
  •  Pré-aquecer o forno a 350 C
  • Juntar todos os ingredientes secos num recipiente.
  • Juntar os restantes ingredientes num recipiente à parte. Misturar bem.   
  • Juntar os ingredientes secos com os restantes e misturar bem.
  • Levar ao forno num pirex untado com azeite e polvilhado com um pouco de farinha.
  • Cozinhar por 40 minutos ou até estar dourado por cima.
Opcionalmente podem juntar à massa pepitas de chocolate negro sem açúcar, bagas, frutos secos.




Como tornar esta receita Vegan?
Ovos - Por cada ovo, substitua por “ovo de linhaça”. Faz-se assim, por cada ovo que a recita peça, faz-se : coloca-se uma colher de sopa de farinha de linhaça num recipiente( sementes de linhaça moídas na trituradora!) , depois junta-se 3 colheres de sopa de água e dissolve-se. Refrigerar entre 15 minutos a uma hora.
Mel - Misturar xarope de agave bio com geleia de arroz - bio também, e sempre que conseguirem.




sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Eating Tales, o primeiro vídeo


Um dos objectivos deste site para 2014 é a produção de uma web série de mini episódios relacionados como a alimentação, a culinária, as viagens e a sustentabilidade.

Há 3 dias ficou disponível o primeiro episódio "Shake the Hand That Feeds You". Este vídeo foi filmado no concelho de Sesimbra, numa horta pertencente à rede PROVE. Neste dia, falámos com o Sr Miguel Gervásio que nos contou como a sua dedicação à agricultura lhe tem permitido ter uma vida mais feliz e mais saudável.

A rede PROVE é uma das crescentes instituições em Portugal que tem facilitado o contacto directo do consumidor com os seus agricultores locais. Ao nos inscrevermos no site, através de um formulário onde podemos indicar a periodicidade dos cabazes de legumes que queremos receber,  podemos adquirir cabazes de legumes locais a preços justos.


Desta forma, trazemos de volta ao nosso prato a identidade dos agricultores e podemos ter mais certezas sobre a segurança daquilo que consumimos. Neste episódio abordam-se também ligeiramente as questões da segurança alimentar, da agricultura biológica e da modificação genética dos alimentos.

Convido-vos a conhecer a quinta do sr Miguel.

E vocês, acham importantes estas iniciativas?  Qual a vossa opinião sobre a importância do consumo de produtos de agricultura biológica?


The Eating Tales , episódio 2 : Shake the Hand That Feeds You

Vimeo HD 

quinta-feira, 2 de maio de 2013

O Bosque dos Carvalhos Que Cantam




Os sapatos já não lhe serviam tão bem como quando a mãe lhos tinha oferecido o ano passado mas ainda eram os seus favoritos e, mesmo com dores nos pés, descia com eles, a correr, a estrada de terra batida que ia dar ao Bosque dos Carvalhos que Cantam. Este era o nome secreto que usava quando estava em silêncio, dizê-lo em voz alta era trair a confiança do orgulhoso carvalho, rei de todos os carvalhos do mundo.

E Eva nunca trairia o seu guardião a quem respeitava como um pai. Ao principio tinha contado à mãe e à irmã que o bosque falava-lhe e cantava-lhe mas depressa percebeu que elas eram surdas à sua sabedoria e gostavam de ser.

Era muitas vezes assim com as pessoas deste planeta, proibiam-se de uma série de liberdades com medo de voar e depois viviam infelizes nas suas gaiolas. Amava todas as pessoas que conhecia, como irmãos, mas sabia que a maior parte delas não podiam saber dos seus segredos. Agora, já não falava muito sobre estas tardes mágicas onde aprendia e partilhava com as árvores e as plantas do bosque. Guardava os seus ensinamentos para si e pensava que, quando crescesse mais, ia poder contar tudo sem que lhe levassem os contos por fantasia de criança.

Os adultos eram tão fáceis de entender mas tão inocentes na sua austeridade. Com armaduras de amarguras tiravam a magia ao Mundo e sofriam quando a procuravam e ela já não lá estava; não percebiam que eles é que a tinham assustado para longe? As árvores também gostavam dos adultos. Eva tinha perguntado porque é que a mãe e a irmã não ouviam as canções e o Carvalho tinha-lhe contado que elas ouviam apenas o ruído e não reconheciam a melodia. Tinham-se esquecido de como é que se fazia. Mas Eva não ficou triste, não sentiu a tragédia humana. Era consciente demais para sentir tristeza, só conseguia ver a grandeza.

Naquele dia dos sapatos apertados, quando entrou no bosque e chamou mentalmente pelo amigo Carvalho, ele não lhe respondeu. Seria por já estar tão crescida? Os sapatos afinal, já não lhe serviam. Se calhar estava a esquecer-se da melodia como a mãe e a irmã. Chamou outra vez e não ouviu nada. Depois, ao fim de uns minutos de espera e silêncio ouviu qualquer coisa a roncar. Já estava na hora de lanchar?

domingo, 28 de abril de 2013

Crudivorismo - A arte de não cozinhar




Se cozinhar é uma arte, não cozinhar também o é. Na verdade parece-me um desafio bastante maior elaborar refeições saudáveis e saborosas sem a ajuda do fogo que tanto sabor confere às coisas que cozinhamos. Existe uma dieta alimentar onde não se cozinham os alimentos, chama-se crudivorismo e está cada vez a ganhar mais adeptos. Apesar do crudivorismo em si ser omnívoro, a maior parte das pessoas que o adoptam são vegetarianas ou mesmo vegan.

O que é o Crudivorismo?


O crudivorismo é quando decidimos que já não vamos cozinhar nem processar mais os alimentos. Na maior parte das vezes, seleccionam-se alimentos orgânicos e selvagens. Quanto mais naturais, melhor. Nas dietas omnívoras os “raw foodistas” comem ovos, sushi, carpaccio, queijos e leites crus não pasteurizados. Nas dietas vegan, as estrelas são as frutas, vegetais, nozes e sementes orgânicas cruas ou cozinhadas a menos de 40 °C .

Porquê comer tudo cru?


Muitos autores e nutricionistas consideram que cozinhar os alimentos acima dos 40 °C  faz com que estes percam grande parte do seu valor nutricional e que se tornem menos saudáveis e, por vezes, dependendo do alimento, até prejudiciais para o corpo. Os advogados da dieta crua dizem que as comidas cruas ou vivas contêm enzimas naturais que são essenciais para a construção de proteínas e, consequentemente, para a regenerarão e construção dos nossos corpos.

Mas nem todos concordam; outros autores argumentam que essas mesmas enzimas, tais como outras proteínas consumidas nesta dieta, são eventualmente desfeitas pelo processo digestivo o que as torna disfuncionais perdendo todo o objectivo da dieta.

Entre os seguidores do crudivorismo, existem ainda aqueles que comem apenas frutas, os que bebem apenas sumos e os que comem apenas rebentos. 


Um pouco de história


Quem se lembrou de começar a advogar estas dieta fê-lo como um tratamento de saúde complementar. Foi na Suíça em 1890 e picos que um médico Suíço, Maximiliano Bircher-Benzer, começou a experimentar com os legumes crus e a sua influência na saúde humana. Foi também por essa altura que abriu uma clínica em Zurique para fazer tratamentos seguindo estes princípios. A clínica ainda lá está e ainda recebe milhares de pessoas todos os anos, em busca de um estilo de vida mais saudável.

Livros e estudos


Um dos livros mais conhecidos sobre este tema é o “Raw Energy - Eat Your Way to Radiant Health", por Leslie Kento, editado em 1984. Este livro veio popularizar o consumo de sementes, rebentos, sementes, legumes e frutas frescos e crus como forma de promover uma saúde excelente. Foi um dos primeiros livros que apresentou pesquisa específica sobre os verdadeiros efeitos desta dieta na saúde geral de um ser humano. Neste livro, Leslie analisou, entre outras, a dieta de Max Gerson, um dos pioneiros na utilização de uma dieta crua na cura do cancro.

 O Instituto Gerson e a Cura do Cancro com Comida Crua

Instituto Gerson utiliza uma dieta crua, muito baseada no consumo de frutas e legumes frescos processados em sumos em conjunto com métodos de detox, para curar cancros de todos os tipos. O método diz que se consumirmos 75% de comida crua na nossa dieta, podemos prevenir imensas doenças degenerativas, abrandar o processo de envelhecimento, aumentar o nosso bem estar emocional e os nosso níveis de energia.

Como Preparar a Comida e o Que Comer?


 Comer tudo cru pode ser bastante simples ou um pouco mais complicado. A maior parte dos vegetais e frutas podem ser consumidos directamente, tal como os compras, ou elaborados em simples saladas, sumos, sopas frias. Outras comidas como o arroz e outros cereais e grãos, são mais complicados e requerem que os ponhamos a germinar para se tornarem comestíveis. Alguns especialistas defendem que as sementes e os frutos secos devem ser demolhados durante, pelo menos, 24 horas para se activarem as enzimas benéficas

Depois tudo depende da nossa imaginação e do nosso nível de inclinação artística. Os que gostam de preparar pratos gourmet cheios de estilo, cor e sabor, vão precisar de liquidificadoras, máquinas de sumo e, para os mais audazes, desidratadoras para elaborar pratos mais complicados. Mas estes aparelhos não são essenciais, apenas adicionam um toque de requinte à preparação das refeições, quando se quer algo diferente e mais apetrechado. Congelar a comida é aceitável mas é de evitar pois diminui a efectividade das enzimas.

 Estudos e controvérsias

Como a ciência está sempre a evoluir, estão sempre a aparecer novas descobertas à luz das quais podemos fazer as nossas escolhas. Existem estudos publicados que são a favor desta dieta e outros que são contra. É um pouco dúbio e cada organismo responde de forma diferente às diferentes dietass. O meu conselho é que estudem bem tudo isto e que façam escolhas informadas. Caso estejam interessados na transição, comecem devagar e vão-se adaptando ao que o vosso corpo vos for mostrando.

Na minha opinião devemos tentar consumir o máximo de comidas frescas, naturais, orgânicas e saudáveis mas com peso e medida no que toca à preparação e condimentação da comida. Uma dieta radical não é natural e pode ser prejudicial para vários tipos de condição física. É possível praticar uma alimentação raw vegan com imenso benefícios de saúde mas isto tem que ser feito com muita disciplina e informação caso contrário sofreremos, certamente, de carências alimentares. Esta dieta, feita de forma saudável, requer que se ingiram quantidades gigantes de legumes e frutas frescas e cruas todos os dias. É dispendiosa e requer disciplina militar o que faz com que muitas pessoas que a adoptam não a sigam de uma forma funcional. Mas não deixem que isto vos desmotive de um caminho alimentar mais saudável. informem-se e aprendam tudo o que houver para aprender sobre a ciência por detrás destas dietas alimentares e tomem decisões informadas, adaptadas à vossa realidade.

Eu diria que um 50-50 de cru-cozinhado é um sweet spot que funciona para mim e para a grande maiorias das pessoas adultas e de boa saúde.

 A comida crua é super saborosa e sem dúvida que nos eleva energia e nos deixa radiantes e vivos como a comida que acabámos de comer.

<3 V






terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Insectos para a sobremesa

Os odores que se libertavam das mesas espalhadas pela calçada daquela rua de Bangecoque eram alucinantes; o que vale é que o serviço é, por norma, tão rápido nestes restaurantes de rua que nem dá tempo para perder a cabeça com a gula.

Sentámo-nos com 4 amigos Tailandeses numa mesa de madeira com cadeiras velhas a acompanhar e em menos de 10 minutos tínhamos uma banquete de comida Tailandesa à nossa frente. Salada fria de caranguejos minúsculos e legumes crus, tom yum (indispensável), arroz glutinoso (sticky rice) ao vapor e caril de beringela tailandesa ( thai eggplant - esta beringela é bastante diferente da beringela comum Portuguesa - a foto abaixo ilustra as diferenças - mas é super saborosa e em caril amarelo Tailandês é deliciosa.)

[caption id="" align="aligncenter" width="480"] Beringela Thai - Thai Eggplant - Imagem em Creative Commons por Pullao em http://www.flickr.com/photos/27083124@N00/119298916/[/caption]

 O caril de beringela thai vinha acompanhado por rotti, uns pãozinhos fininhos estaladiços, muito ao género tortilha ou pão nan Indiano, mas mais fino e estaladiço.Quer dizer, depende dos sítios a textura do rotti; em alguns lugares era mais grosso e oleosos e noutros mais fino. Aqui era impecável. Havia também uns talos e folhas de uma planta fritos num género de tempura, servidos com um molho vermelho extra picante a ácido. Na ementa o prato chama-se Pa Pak Boon e em inglês, Fried Morning Glory. Mas esta não é a "nossa" Glória da Manhã é uma espécie de Ipomeia aquática com flores brancas que cresce bem em lagos de água doce e é comum no Sudeste Asiático. Em alguns lugares, o molho leva carne de porco picada mas pode-se pedir sem até porque nos molhos a carne está quase sempre crua.


Depois veio para a mesa um grande tacho de barro com a água já bem quente e umas brasas por baixo que mantinham o tacho quente. Era um género de fogareiro de barro antigo, daqueles que se usava para as castanhas. Com este fogo ambulante vinham travessas de ingredientes crus. Uma quantidade gigante de ervas - folha de lima kefir, lemongrass com fartura, galangal,cogumelos frescos grandes e pequenos, pedaços de carne de frango aos cubinhos, tomates e cebola.

Vai tudo para dentro do tacho, uma das mulheres da mesa mexe a comida enquanto um dos homens lança lá para dentro mais uma mão cheia de folhas de lima. Em 10 minutos está tudo pronto para vir para as nossas tigelas. Por esta altura já a minha tinha estado cheia e vazia várias vezes com todos os caris, saladas, pães, arroz e tudo o que Se colocasse nem mesa com excepção das coisas cruas. Quando estive em Bangecoque optei por não levar vacinas por isso tínhamos sempre muito cuidado com a comida. Tenham também porque os Europeus podem facilmente apanhar grandes problemas intestinais neste países tropicais para os quais os nossos sistemas imunitários podem, por vezes não estar preparados. Bactérias nas comidas não cozinhada são comuns e uma dica para se manterem saudáveis nestes locais é evitar comer alimentos crus. Sopas, caris, molhos quentes, arroz e afins,coisas fritas: enfim, tudo o que tenha estado exposto a temperaturas elevadas é mais seguro.




Na mesa bebia-se a bela da cerveja nacional Chang quando passou pela estrada um vendedor ambulante de insectos fritos. Nós andávamos a evitar este confronto. Já tínhamos estado a considerar provar porque tinha que ser mas andávamos a adiar. Agora, estávamos aqui, com 4 tailandeses a comprar-nos saquinhos de grilos e larvas fritas em manteiga de amendoim e temperados com molho de soja e  todos a comer com um ar satisfeito. Claro que não podíamos ficar a olhar sem sequer experimentar e claro que houve toda aquela camaradagem engraçada porque eles sabem o que é que nós sentimentos em relação a isto. Eles sabem que os achamos exóticos" a comer grilos" e acham-nos exóticos, a nós, de volta.




Então e nós estávamos ali para provar (quase!) tudo e provámos. E era bom! Na verdade eram bem saborosas as larvas com um sabor a frutos secos, quase pinhão. A textura era boa também, rijas por fora e suficientemente rijas por dentro para não se tornar repulsivo. O grilo era muito estaladiço e sabia a molho de soja e óleo de amendoim. Por piada fizemos uns filmes para imortalizar as trincadelas, afinal foram os nosso primeiros insectos e não dava para não arranjar pretexto para vibrar com a situação.

[youtube id="oVZO_EV5nxI"]

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Carbonara para Michelangelo

Enquanto desfolhava um guia do Museu do Vaticano para aprender tudo sobre Michelangelo antes da Filomena chegar, Francesco sentia a ansiedade do encontro a crescer. Tinham-se conhecido a noite passada, por acaso, perto das Escadas da Praça de Espanha e tinham passado uma tarde épica juntos. Visitaram a Fontana di Trévi, comeram gelato enquanto pediam um desejo, tiraram fotografias ao colosseum e mais uma data de coisas do roteiro clássico de Roma.

Filomena viajava sozinha e tinha vindo a Roma em busca de arte. Respirava arte aquela mulher e Francesco não queria parecer inculto quando hoje fossem visitar o museu do Vaticano. Mas antes ainda lhe ia mostrar uma das melhores carbonaras da cidade imortal. "Espero que não seja vegetariana", pensou enquanto aprendia mais sobre o pai de David e da Capela Sistina. Ontem Filomena tinha-lhe dito que era o seu favorito e que estava super excitada com o passeio ao museo.

Olhou para a o relógio e viu com um sorriso triste que já estava há espera há uma hora. Optimista por natureza, nunca tinha duvidado que ela visse até àquele momento. Tentou lembrar-se do que é que tinha corrido mal ontem, alguma coisa que tivesse dito. Se calhar só tinha sido bom para ele aquele encontro; se calhar ela tinha-lhe dito que sim ao almoço de hoje só para se ver livre dele. Mas tão depressa pensava nisto como se esquecia logo destas duvidas; é que nestes momentos de hesitação lembrava-se do sorriso e do olhar de Filomena e nenhum deles estava nada assustado. Havia ali uma luz igual à sua. Viria. Estava atrasada por causa do autocarro ou do metro ou estava a escolher a roupa ou qualquer coisa o género. Viria com toda a certeza.

Viu uma morena de calças de ganga azuis e casaco preto a caminhar na sua direcção e o seu coração falhou um passo. Pensou "Filomena, sei così bella. Hoje provarás uma carbonara digna de Michelangelo.






Spaghetti alla Carbonara, receita Romana

Ingredientes para 2

1 dentes de alho
1 cebola pequenas
200 gramas de spaghetti
2 mão-cheias de pancetta, guanciale ou bacon
2 ovos
Sal e pimenta qb
2 colheres de sopa de parmesiano ralado na hora



Modo de preparação

Cozer o spaghetti com um fio de azeite, sal e pimenta até ficar al-dente. Escorrer o spaghetti. Entretanto numa frigideira fritar os pedacinhos da pancetta ou outra carne (bacon, guanciale) num fio de azeite, a cebola picada e os alhos cortados grosseiramente. Juntar o spaghetti cozido à frigideira e mexer bem para absorver os sabores e gorduras da carne. Num recipiente à parte bater os ovos. Depois de batidos juntá-los à frigideira mexendo sempre com muita força. Pode ser necessário juntar mais uma gema extra. Mexer sempre até os ovos estarem incorporados na massa, como um creme, não queremos bocadinhos de ovo mexido a boiar na massa, é suposto ficar cremoso.

Retirar do lume e juntar uma colher de sopa bem cheia de parmesiano ralado. Quando servir, ralar um pouco de parmesiano extra para cima da massa, pimenta preta moída na hora e uma folha de manjericão. Oferecer a Michelangelo.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Angkor, casa de Impérios e Deuses sem nome.

Angkor, casa de Impérios e Deuses sem nome.

O Cambodja, hoje em dia, faz parte de uma rota muito popular entre os backpackers  "profissionais"; aqueles aventureiros que viajam meses a fio de mochila às costas, em busca de ver e viver o Mundo. Mas nem só de backpackers vive a Ásia e o esplendor ímpar de Angkor colocou o Cambodja no mapa dos viajantes de elite também. E isto sente-se no ar; no contraste dos alojamentos da cidade mais próximo, Siem Reap onde na mesma rua estão Hotéis espalhafatosos de 5 estrelas ao lado de “lojas” de rua que vendem gasolina a litro, em garrafas vazias de whisky.

Estima-se que, todos os anos, cerca de 2 milhões de pessoas visitam o complexo de Angkor, onde se encontram templos mundialmente famosos como o avassalador Angkor Wat. Este património Mundial da UNESCO contou-me que até o mais Ateu de nós não deixa de sentir uma presença sagrada em tanta arte, beleza e dedicação e lá oferece uma prece envergonhada àqueles Deuses em quem não acredita mas que não pode deixar de sentir. E o que é mais belo nisto tudo é que estes templos pertencem a várias religiões e a nenhuma. Budistas e Hindus rezam juntos às mesmas Divindades numa lição de tolerância e aceitação.


Aqui era a sede do grande Império Khmer que reinou sobre todos aqueles países que agora gostamos de visitar na trilha da "panqueca de Banana", nome com que ficou conhecido o percurso Tailândia-Cambodja-Laos-Vietname. Todo este trilho, que é agora percorrido por turistas aventureiros de todo o Mundo, era governado pelo Grande império Khmer.

A "grande" cidade mais próxima é Siem Reap e é lá que ficam alojados a maior parte dos turistas que vêm visitar os templos. Nós ficámos lá e devo dizer que foi um dos pontos altos da minha pequena viagem de um mês por  estes trilhos. Acho que tivemos sorte com tudo porque tanto a nossa guesthouse como o condutor de tuk-tuk que contratámos para nos guiar foram tudo o que um viajante precisa: acolhedores, amorosos e em conta.

No total pagámos 30 dólares por dois dias de visitas guiadas a todo o lado nos arredores de Siem Reap; podíamos tentar ir por nós próprios, alugar uma bicicleta ou mota mas íamos estar lá tão pouco tempo que achámos que um guia condutor era a nossa melhor escolha para não perdermos tempo a tentar chegar aos sítios e também a nossa oportunidade para alguma interacção cultural. Acabámos por ter o melhor guia do Mundo que se transformou num amigo com quem aprendi um ponto de vista bem diferente e pessoal sobre os problemas políticos e sociais do passado deste povo.




O complexo de Angkor é composto por dezenas de templos e outros edifícios, todos como que feitos para sobreviver aos desafios do tempo e testemunhar a grandeza daquele povo. Nós fomos de manhã e passámos o dia todo em passeios pelas florestas que nunca se calam. Não há nada de silencioso na selva Asiática, os pássaros, os insectos, as árvores, tudo canta e é uma banda sonora mais que perfeita.

Visitámos todos os templos maiores : Angkor Wat, Ta Prohm, Bayon Temple e também alguns edifícios menos conhecidos mas igualmente maravilhosos, como a antiga biblioteca onde se lia em silêncio.



Ninguém sabe ao certo quantas pessoas habitaram em Angkor e o melhor palpite deles é com base nos sistemas de agricultura que foram encontrados nas redondezas que foram avaliados como capazes de suportar um milhão de pessoas. É que nem é difícil imaginá-las lá, distraidamente nas suas tarefas do dia-a-dia, completamente alheias ao futuro onde a sua cidade será Rainha entre os seus pares.





Uma amiga minha tinha-me dito que eu " ia me passar" com o Cambodja e na verdade, é um dos países que visitei em que mais me imaginei a viver descontraidamente e feliz. Antes de ir estive a ver os 2 episódios que o Anthony Bourdain gravou no Vietname. No início do segundo episódio, ele diz qualquer coisa do género:

"Da primeira vez que eu visitei o Vietname, pensei : estou lixado. Nunca mais na minha vida vou ser feliz enquanto não arranjar maneira de vir viver para aqui. Depois disto, como é que eu vou ser feliz a viver em qualquer outro lugar na Terra?".

Percebo-te Anthony, alguém já devia ter escrito uma tese ou dissertação científica sobre a magia da Ásia; é que quando se volta para casa é uma desinquietação que se não é feitiço, parece!

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Argentina e Uruguai: destinos ingratos para estômagos não carnívoros,uma crónica do Coração Nómada

Argentina e Uruguai: destinos ingratos para estômagos não carnívoros
por Catarina Costa e Palma, do blogue Coração Nómada

Se procuras fast-food com um toque local, hambúrgueres gigantescos, super-cachorros e todos os tipos de panados com molhos de várias cores a acompanhar, os ‘carritos’ (roulottes) uruguaios são, definitivamente, um local a conhecer.

Se, por outro lado, és vegetariano ou adepto de um tipo de comida mais orgânico e saudável, passa ao lado da comida de rua dos dois países mencionados e aproxima-te das ‘verdurerias’, lojas de frutas e vegetais.


No Uruguai, tal como na Argentina, ‘carne’ é sempre de vaca, que distinguem do cordeiro e do frango, as ‘outras’ carnes mais consumidas. Sem grande sofisticação, a carne é cozinhada de duas formas: grelhada na parrilla (o mesmo é dizer na grelha) ou frita, em jeito de panado, a que chamam ‘milanezza’.

A típica comida de rua que nenhum carrito (roulotte) uruguaio que se preze deixa faltar é o famoso - e delicioso - ‘chivito’, que poderia ser o equivalente uruguaio à nossa bifana, mas que é muito mais ‘rico’.

Pode ser servido no prato ou no pão e consta de um bife de ‘carne’ ou de frango com bacon, queijo mozzarela e ovo mexido ‘a cavalo’ com batatas fritas para acompanhar e uma rodela de tomate para dar ‘um ar saudável’.

[caption id="attachment_410" align="aligncenter" width="395"] Família uruguaia pescando ao pôr do sol. O primeiro peixe pescado foi oferecido aos portugueses, a primeira prova que tivemos da generosidade do povo do Uruguai.[/caption]

A base da comida uruguaia, pelo menos da que se encontra junto da linha costa, é a mesma da dos seus vizinhos do outro lado do estreito, o mesmo é dizer que nada tem de Light.

Em ambos os casos, logo à partida, reconhecemos as influências do seu passado colonial hispânico e italiano, já que - infelizmente para a gastronomia tanto argentina como uruguaia - os portugueses que aqui estiveram não ficaram tempo suficiente para influenciar definitivamente estes povos.

Tanto a Argentina como o Uruguai são destinos ingratos para estômagos não carnívoros. O peixe é raro, e quando o há é demasiado caro para o orçamento de quem viaja de mochila.

A única vez que tive o prazer de comer peixe foi há uns dias atrás, quando o meu corpo já gritava por algo para além de fritos, panados e pizzas.

Nesse pôr do sol em Colonia del Sacramento, vivi um momento que nunca esquecerei, pois o peixe com que me deliciei à noite foi retirado das águas do Rio de la Plata mesmo à minha frente.~

[caption id="attachment_411" align="aligncenter" width="565"] O 'Dorado' que cozinhamos de forma simples e saborosa: muito limão, sal, fogueira 'et voilá'.[/caption]

Depois de vários dias passados na praia e de ver muita gente à pesca, sem pescar nada, nesse fim de tarde houve um ‘maestro’ que sacou um Dourado enorme com o qual me presenteou; assámo-lo na fogueira mesmo ali, na praia, e foi um momento delicioso, em todos os sentidos.

Com este gesto simples me apaixonei ainda mais pelo povo do Uruguai. Simpático e generoso, para mim, o melhor que esta terra tem.

Catarina Costa e Palma

Coração Nómada 

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Livros da minha vida - Crime e Castigo

Hoje acordei com vontade de escrever sobre viagens mas depois quando me sentei mesmo a escrever lembrei-me que ainda não tinha escrito aqui nada sobre livros. Os livros são passaportes para experiências. São portais mágicos para acontecimentos e conhecimento. São softwares para o nosso cérebro, não é? Fazem-nos conhecer vários pontos de vista e com isso tornam-nos maiores.


A literatura é o elo que une isto tudo e não havia nada de ideias nesta cabeça se não fossem os mestres.


Mestres como o que escreveu O Crime e Castigo. Este russo obstinado do meu coração escreveu muitos livros. Gosto muito de quase todos. Alguns não sei bem se os compreendo mas também não sei bem o que é compreender o que quer que seja na Arte. Fazem-me sempre bem ao âmago quando os leio mas é um fazer bem estranho. É um fazer bem que nasce de um sentimento de inquietação que dá a volta. Por ser tanto, fica pequeno, anula-se. É como se se alimentasse  dele mesmo até se consumir por inteiro. Como a Ungoliath de Tolkien.








 Esta é uma imagem da mesma edição do Crime e Castigo que eu tenho. Comprei numa feira de antiguidades por €5. Foi a minha primeira cópia deste livro. Hoje em dia tenho 3 edições diferentes, uma delas em Inglês.
Titulo: Crime e Castigo
Autor: Dostoiévski
Tradução: Maria Franco
Edição: Círculo de Leitores
( não tem data no livro, não consigo constatar de quando é mas penso que da década de

70)



























 


 


 


 


 


 


 


 


 


 


 


 


O intuito desta inquietação vem por bons motivos e quando a personagem principal de um livro é irresistível e vil ao mesmo tempo, não sabemos bem se havemos de ficar do lado dela com aquele amor incondicional que atribuímos aos heróis errantes dos nosso livros ou se havemos de o condenar como ele quer que o condenemos.


Porque ele quer. Ele sabe que o amas e que o vais perdoar de tudo mas julga-se tanto que te obriga a julgá-lo também. Como ele quer agitar-nos com aquelas historias de pessoas boas que fazem as coisas erradas por motivos tão estranhos.


É difícil para um  escritor criar uma personagem que interaja com o leitor. É esta mestria que separa os bons dos excelentes e não há tantos tão excelentes. O Fyodor faz isto como segunda natureza, só o vi a descuidar este envolvimento pessoal da personagem em dois livros mas não lhes fazia falta, era outra coisa que ele estava a fazer ali.


O que eu quero com isto é que vão ler o Crime e Castigo do Dostoiévski.



 


 


 


 


Fiódor Dostoiévski, fotografado em 1879.


(Moscovo, 30.10.1821 – S.Petersburgo, 28.01.1881)


 Bibliografia em Português no Wook.


 


 




 


 


 


 


 


 


 


Comprem nas livrarias pequenas, estão a morrer no nosso país e são lugares tão sagrados.Não vou falar muito mais sobre o enredo nem sobre as personagens; para quem não leu, defendo-lhes o prazer de ir virgens para o romance e quem já leu não precisa de ouvir falar do enredo.


O objectivo seria mais explicar com que tipo de pensamentos e sentimentos este autor nos consegue deixar e como essa profundidade de pensamentos e expressão nos aprofunda também. Se nos deixa mais felizes, é outra questão.


Mais livros em breve.


V

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

A Senhora do Monte - semear e plantar em Janeiro

Senhora do Monte é um dos blogues favoritos aqui da casa. Lá fala-se da sabedoria popular, das mezinhas, das plantas curativas, dos tempos de semear, plantar e transplantar, dos segredos da Terra. Como eles dizem: é "um projecto de homenagem ao Portugal das tradições, dos saberes e dos sabores.


Escrito por um jovem casal de namorados que se recusa a ver apagadas as tradições e a sabedoria popular, actualizam o blogue e a página de Facebook com conhecimento que já foi de muitos e que é, cada vez mais, de poucos.

Eu contactei-os e perguntei-lhes se eles achavam boa ideia uma parceria. E eles acharam. Assim vamos ter uma rubrica semanal da Senhora do Monte onde vamos nós, também, poder aprender alguns truques e dicas trazidos, especialmente,  do Cyber-Monte.

Lá fala-se de sabores, de medicinal natural, de remédios caseiros, de beleza e bem-estar, de jardinagem, de soluções para a casa e de outras coisas neste Universo.

Para a inauguração desta rubrica roubei-lhes uma parte do calendário de semeadura e plantio do mês de Janeiro onde podem encontrar informações super úteis sobre o que semear e plantar em Janeiro, nas várias zonas do país.

 

Hortículas para Semear (Norte e Centro do país)

Tomateiro

  • Centeio

  • Couve Galega

  • Nabos

  • Nabiças

  • Rabanetes

  • Salsa

  • Tomate


Hortículas para Semear (Sul do país):

Nabiças

  • Cenouras

  • Couves

  • Ervilhas

  • Feijão

  • Nabiças

  • Tomate


Hortículas para Semear em local coberto (estufas):

Espinafres

  • Alfaces

  • Alhos Franceses

  • Cebolas

  • Couves Flores

  • Ervilhas

  • Espinafres

  • Favas

  • Meloas

  • Rabanetes

  • Pepinos

  • Pimentos


Espreitem o resto na casa da Senhora do Monte. ;)

 

 

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Coisas Para Comer em Bangkok - Tom Yum

De madrugada, à tarde, às horas mais improváveis e debaixo de qualquer tempo, há sempre comida com fartura pelas ruas de Bangkok. Claro que existem os restaurantes normais, dentro de 4 paredes e até alguns à porta fechada, para todos os gostos e algibeiras mas a maior parte dos locais come nas bancas de rua. É bem mais barato, mais rápido e mais prático.

Em Bangkok não é muito comum cozinhar-se em casa. Apenas as famílias grandes cozinham e comem em casa; as outras, comem na rua porque lhes sai mais barato e nem se preocupam nada. A comida Tailandesa é o orgulho dos seus habitantes e eles honram-na em cada canto. Os restaurantes mais direccionados e frequentados pelos habitantes da cidade, são clássicas esplanadas de rua, onde se juntam grupos animados à volta do tacho de barro com água a ferver que vem para a mesa para depois lhe juntarmos os ingredientes frescos que nos trazem dentro de cestos e pratos. 

[caption id="" align="aligncenter" width="484"] Refeição num restaurante de rua em Bangkok[/caption]

Eu cheguei a Bangkok cheia de intenções de provar tudo o que conseguisse no espaço de tempo da minha visita mas no segundo dia conheci logo o Tom Yum e apesar do nosso primeiro encontro ter sido uma confusão de golos largos de cerveja para acalmar a garganta, não desisti dele e quando comecei a ficar com garganta de ferro Tailandesa  percebi que tinha descoberto o meu novo prato favorito. Um prato tão simples e despretensioso, que só é impróprio para não gosta de sabores ácidos e picantes ao mesmo tempo.

 Tom Yum de frango



Tom Yum de frango
Tom Yum - de cogumelos, de frango, de camarão, de "comida do mar" ( esta opção pode levar de polvo a lulas a mariscos vários) ou simples, a Tom Yum é o meu prato tailandês favorito, desde há dois meses. É que dantes nunca tinha provado mas agora como voltar atrás? Como todos os pratos Tailandeses, as receitas não são nada restritivas. O que é comum a todos os Tom Yum é a sua base de temperos. Os ingredientes extra podem mudar, bem como a opção de colocar leite ( normalmente de coco) ou não, na sopa. 

Os ingredientes base da Tom Yum são o lemongrass ( em Portugal existe uma espécie parecida de citronela com o nome de erva-príncipe), folhas de lima Kfir, raiz fresca de galangal, sumo de lima e chillies. Em alguns locais colocam-lhe coentros e manjericão.

[caption id="attachment_375" align="aligncenter" width="587"]Tom Yum em Pak Chong. Um dos melhores que comi na Tailândia. Tom Yum em Pak Chong. Um dos melhores que comi na Tailândia.[/caption]

A este caldinho pode juntar-se tomates, cogumelos, muita cebola, cenouras, todo o tipo de legumes cortados, camarões, carne de frango, lulas, polvo e outros mariscos. A sopa leva também molho de peixe e pode levar ou não leite de vaca ou, mais comummente, de coco.

Na Tailândia é fácil encontrar Tom Yum de qualquer espécie. O único restaurante que foi onde não havia Tom Yum foi uma pastelaria. Claro que não visitei todos os restaurantes de Bangkok mas acho seguro dizer que na maior parte se encontra esta sopa. Quanto mais autênticos os restaurantes, melhor vai ser a sopa. Os tailandeses são exigentes com a sua comida e não servem pratos mal feitos aos seus conterrâneos.  

O preço, dependendo do local, varia entre os 40 e os 150 bhat, o equivalente a entre 1 a 5€. Depende de onde escolheres provar.

A sopa é muito picante. Extremamente picante. Tão picante que no primeiro dia não a conseguíamos comer. Normalmente servem-nos um prato de arroz cozido com a sopa para entre-calarmos ou misturarmos com o molho. Na minha primeira vez, para conseguir comer a sopa, tinha que ser uma colher de sopa , um golo de cerveja, uma colher de arroz. E mesmo assim, ardia na garganta. Passados uns dias, já pedíamos para não terem pena de nós no picante.

O ser picante é uma característica normal dos pratos Tailandeses e apesar de ser apreciadora de comida picante, tivemos que lutar pelo nosso direito a apreciar um belo prato de Tom Yum sem sofrer muito.

[caption id="attachment_372" align="aligncenter" width="367"]Tom Yum de camarão  na guesthouse River View. Este foi o primeiro Tom Yum que provei na Tailândia e adorei mas mais tarde iria provar muito melhor. Tom Yum de camarão na guesthouse River View.
Este foi o primeiro Tom Yum que provei na Tailândia e adorei mas mais tarde iria provar muito melhor.[/caption]

 

As propriedades dos chillies , do galangal, do lemongrass e da lima kfir  fazem com que esta sopa tenha também uma popularidade muito peculiar na Tailândia.  É considerada curativa e durante muitos anos o povo Tailândia utilizou-a como uma panaceia para curar gripes, constipações e problemas de estômago.

 A receita, que é comum ao Laos e também servida na Malásia, Singapura e Indonésia é antiga - não consegui apurar quantos anos tem ( alguém faz ideia?)- e diz-se que é prova da mestria dos cozinheiros, fazer uma Tom Yum com o balanço perfeito entre o picante e o ácido.

Eu provei muitas versões desta sopa. Algumas melhores e mais ricas, outras com menos ingredientes mas que mesmo assim eram pequenos "shots" de energia e  força. É que parece que esta sopa tem qualquer coisa que nos puxa para cima; no fim da viagem, foi o último prato que comemos em Bangkok e o que mais nos deixou saudades. 

Receita em breve.

V

sábado, 22 de dezembro de 2012

Parrila e pizza em Buenos Aires, por Catarina Palma

Lembram-se quando vos falei da Catarina Palma e do Coração Nómada? Pois é, a Catarina já começou a sua viagem e já nos enviou o seu primeiro relato. Não leiam se estiverem com fome porque as palavras são tão boas que abrem literamente o apetite. A Catarina está na Argentina, em Buenos Aires e é de lá que nos escreve esta crónica.

Visitem o Facebook do Coração Nómada e o Blogue para acompanharem todas as aventuras do coração. Boas viagens Catarina e agora, comamos com os olhos. 

Parrila e pizza em Buenos Aires, por Catarina Palma



Argentina – um país de 2.8 milhões de quilómetros quadrados – é para muitos, principalmente para os carnívoros, sinónimo de carne, bifes e churrasco. É verdade que o prato mais famoso dos argentinos é, sem dúvida, a boa da parrilla, ou seja, churrasco de carne de vaca, onde não falta entrecosto, morcela e bife da vazia.
Sim, sem dúvida, fazer churrascos é uma especialidade dos argentinos e, aos domingos, um passeio pelos bairros mais tradicionais da cidade é acompanhado pelo cheiro do churrasco feito ao ar livre e pelas gargalhadas dos amigos e familiares que se juntam em volta da grelha para comer conversar. É certo que na minha estadia em Buenos Aires tenho encontrado muitos restaurantes de parrila - destacam-se ao longe pelos letreiros coloridos, fachada em madeira e pelas frequentes pinturas alusivas ao tema gaúcho, sendo os gaúchos homens do campo que vivem da criação de gado nas terras da pampa argentina - e que até já participei de um churrasco de domingo (de longe, muito melhor do que qualquer restaurante).
Ainda assim, os letreiros gaúchos são ultrapassados em número e em brilho pelos das pizzarias que pululam pela cidade. Umas colocam lado a lado em vitrines de comer com os olhos empanadas de vários feitos e inúmeros sabores – carne, frango e cogumelos, queijo e presunto, caprese -, pastas frescas, quiches e gnochi, enquanto outras se especializaram apenas em pizzas. Em Buenos Aires há pizzarias que se denominam como as melhores da cidade, outras colam-se ao tango e dizem-se tão tradicionais quanto essa dança a media luz, a verdade é que as há com várias décadas de história, atestadas pela data de fundação que orgulhosamente exibem por cima da soleira da porta.
Se as pizzas argentinas são melhores que as italianas? Isso não sei dizer, mas são muito boas e saboreá-las com este ventinho tropical tem um gosto muito especial.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Caril de batata doce e erva-limão

Quando comecei a escrever o último post sobre o Cambodja, a minha ideia era partilhar a receita que experimentei naquele dia, com o lemongrass em pó que trouxe de lá. Depois perdi-me na conversa e o post cresceu sem a receita. Mas esta vale a pena ser partilhada por isso cá vai!

Quem brilha nesta receita é o lemongrass:  em Portugal, chamam-lhe erva-limão, erva limeira, erva-príncipe e até erva-capim. Disseram-me que fazem todas partes da mesma família, que são citronelas mas que as espécies variam de país para país. Ando a ver se arranjo sementes de lemongrass Tailandesa e Cambojana para plantar, que era muito boa e eu preciso urgentemente de comer um Tom Yum a sério e sem o lemongrass certo não vou lá!

E para recordar uma viagem nada melhor do que uma boa comida simples e saudável com os sabores que vieram na mala; obrigada  ao lemongrass por este toque que nos empresta e saudades aos meus amigos no Cambodja, espero que aprovem esta intromissão!



Caril de Batata Doce com Erva-Limão (Lemongrass)    

♠ 4 pessoas

Ingredientes

8 batatas doces

1 cc pimenta preta em grão

200 ml  de leite de côco

100 g de côco ralado

1 cebola grande

5 colheres de sopa de lemongrass em pó

2 malaguetas vermelhas

1 cs raiz de gengibre ou galangal

2 cc sementes de coentros

1 fio de azeite ou óleo de côco

1/2 cc sal marinho

 

Como fazer: 

Numa frigideira anti-aderente, alourar uma cebola com azeite ou óleo de côco. Dourar também as sementes de coentros. Quando estiver aromatizado, misturar metade do côco ralado. Colocar as batatas doces cortadas aos cubos pequenos. Temperar com sal e pimenta preta e deixar saltear. Colocar em lume brando, tapar e deixar alourar 5 minutos. Colocar depois a raiz de gengibre ou galangal cortada em fatias fininhas.  Cortar as malaguetas em bocados pequeninos e juntar também.

Podem ou não tirar as sementes das malaguetas de acordo com o nível de picante que quiserem experimentar. Se quiserem muito picante, deixem as sementes.








Deitar o lemongrass e o leite de côco até tapar as batatas e deixar cozinhar, em lume muito brando por 15 minutos.

Provar novamente os temperos, reajustar e verificar se as batatas estão cozidas mas rijas. Deitar  o resto do côco ralado por cima e misturar antes de servir.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Cambodja e lemongrass

[caption id="attachment_328" align="aligncenter" width="731"] Lemongrass em pó[/caption]

 

O Cambodja só não deixa saudade a quem não quiser senti-la. Dizem que temos sempre saudades dos sítios onde fomos felizes e todos podemos validar esta pequena Verdade. Ainda é recente a saudade dos lugares e amigos que lá ficaram até sabe-se lá quando; mas na segunda-feira acordei com saudades da comida. Pois.

Não, eu não tenho saudades só das comidas dos lugares mas os sabores são corvos das memórias e espicaçam-mas de uma maneira que me custa calar. E como eu sou a favor da liberdade de expressão, mesmo dos corvos mais atormentadores, entrego sempre tudo à mensagem. Mergulhemos então na saudade e já agora, que se faça um prato para a acalmar.

Em Siem Reap há poças grandes de chuva nas estradas. Há carros, poucos, motas, muitas, tuk-tuks com mota, vários, e bicicletas. Há cavalos e pessoas a pé. Há motas com quantas pessoas elas aguentem e grandes sorrisos para nós. Sorriem também uns para os outros quando estão em sarilhos. Calor e pó, chuva e lama. Tudo no mesmo dia e no mesmo lugar.

Há mercados que só funcionam de dia e outros que só funcionam à noite. Há turistas a montes, atraídos pela imponência de Angkor e em percursos pelo Sudeste Asiático. Vêm ou vão para a Tailândia, Laos, Vietname. Há uma rua "pub street" onde desfilam os turistas e os seus amigos. Com restaurantes, pubs, bares, lojas e massagistas. Tudo pensado para nós, turistas, que os de lá não têm dinheiro para aquilo. Esta rua só visitámos no último dia que lá estivemos porque entretanto havia coisas únicas para ver antes dos pubs temáticos para camones. Mas, no fim, lá fomos jantar com o nosso guia e amigo e estava-se muito bem. Temia uma Khao San road e afinal era tudo muito melhor. Não gostei nada de Khao San road, fico tão deprimida com turistas bêbados descontrolados e senhores de idade respeitável com adolescentes asiáticas pelo braço; parece que a experiência de khao san me traumatizou e agora quando me dizem que temos que ir até à rua-não-sei-quantos porque é lá que estão os backpackers fico sempre naquela. Hum, não.

 

[caption id="attachment_322" align="aligncenter" width="768"] Especiarias no mercado de Siem Reap[/caption]

[caption id="attachment_324" align="aligncenter" width="768"] Queijo e pasta de peixe no mercado de Siem Reap[/caption]

Lá perto desta cidade moderna Cambojana de Siem Reap, há aldeias rurais, bonitas , pobres e com um ar de simples felicidade. Há vacas muito magras mas que andam soltas pela beira do rio que tanto os sustenta, como os desalenta. Estas águas, que ora sobem ora descem, vêm literalmente do Topo do Mundo onde nasce o rio Mekong cujos movimentos ora empurram ora sugam as águas que alimentam esta aldeia. Desce pelo Planalto Tibetano, passa pela China, Myanmar, Laos, Tailândia, volta ao Laos, desce para o Cambodja e vai depois criar o Delta do Mekong para se  transformar em Mar.  A vida nesta aldeias é extraordinariamente regida pelos movimentos do rio.  As rotinas, tarefas e estilo de vida da aldeia adaptam-se ao que o rio lhes trás ou deixa de trazer.

Quando há água para isso, planta-se e transplanta-se o arroz. Vai-se à pesca. trata-se do que se apanhou. Faz-se queijo de peixe. ( Não provei mas não tinha um cheiro promissor. No entanto, acredito quando me disseram " cheira mal mas sabe bem", acontece muitas vezes com coisas gourmets, como aquela.

[caption id="attachment_319" align="aligncenter" width="768"] Recolha do peixe apanhado pelos barcos na aldeia perto de Siem Reap nas margens do Tonlé Sap[/caption]

O rio é também casa. Há lá pelo menos duas grandes aldeias flutuantes. Visitei a de Kampong Phluk e foi como reviver.  Tenho uma estória para contar sobre um rapaz-peixe que lá vive mas essa é para depois.

Em Kapong Phluk, também conhecido localmente, em gíria de turista, como floating forest, o rio é terra, chão, mãe e pai.  Há uma escola, um navio Hospital lá colocado por terceiros - muito obrigada em nome da Raça Humana, se me permitem - um templo e uma casa Comunitária. Tudo construído sobre estacas que se enterram no chão do rio. Há muitas casas e muitas pessoas também. Há algumas casas em terra, perto da escola. Barcos e crianças que tomam banho e lavam a roupa no rio e ficam debaixo de água tanto tempo sem respirar! Há um restaurante com cerveja fresca e muita comida onde quem tiver febre também pode lá ir curar-se com ventosas de vidro. No Cambodja a medicina tradicional é muito semelhante à Chinesa. Há as senhoras do remo, que levam os turistas a passear em pequenas canoas por entre a floresta flutuante.

[caption id="attachment_318" align="aligncenter" width="768"] Kampong Phluk[/caption]

 

[caption id="attachment_317" align="aligncenter" width="768"] Medicina tradicional em Kampong Phluk[/caption]

[caption id="attachment_320" align="aligncenter" width="768"] Kampong Phluk[/caption]

O Cambodja e a zona circundante a Siem Reap deixam saudades porque são lindos. Nem falei de Angkor porque já se sabe que estando em Siem Reap, vai-se lá parar e vai-se ver algumas das coisas mais belas que o Homem inspirado já fez. Mas a pérola deste país é quem lá habita.

Dizer que eles sorriem muito é dizer o que toda a gente diz quando aqui vem, mas dizer as verdades nunca será contra a moda de ser original nas palavras e pensamentos. No Cambodja sorrir é mostrar que se está feliz mas é também um sinal de boas-vindas e eles ainda não se fartaram de mostrar com que firmeza , humilde e satisfação se constroem .

Em Siem Reap, no mercado nocturno havia especiarias em saquinhos de 1 dólar. Havia todas. Lemongrass em pó, ainda bem que te comprei e te trouxe na mala, mal sabias tu que havias de matar a saudade do teu país com a ajuda de umas batatas doces e leite de Côco.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Azeite Picante de Caiena

Há Português que não adore azeite? Se for cru, melhor. Esta receita de azeite picante pode ser feita de duas maneiras: a cru ou a quente.

Se fizerem a cru, demora umas 2 semanas a ficar no ponto; a quente, são 25 minutos mas perdemos alguma da frescura do azeite e das suas propriedades.

Este azeite é ideal para acompanhar uma boa dukkah. Molha-se um belo pão neste liquido, depois na dukkah e temos um snack egípcio com um toque do Mundo.

Esta receita  que se segue não é de lado nenhum. É de todos os povos que gostam de azeite e coisas picantes.

[caption id="attachment_311" align="aligncenter" width="816"] Caiena seca, pimenta rosa, alho[/caption]

 

Para esterilizar os frascos de vidro: lavar em água quente e detergente para a loiça não-tóxico. Colocar os frascos lavados numa panela cheia de água. Ferver em lume brando por 40 minutos.



Receita de Azeite Picante de Caiena


Frasco de vidro esterilizado


250 cl de azeite virgem de boa qualidade


5 pimentas e caiena,secas, com semenentes


2 folhas de louro


2 colhes de sopa de coentros


1 colher de sopa de sumo de lima


1 colher de sopa de pimenta rosa moída de fresco


 Esterilizar o frasco de vidro


Para preparar a frio:


- misturar os ingredientes todos dentro do frasco de vidro, fechar e colocar num lugar fresco e seco. Agitar uma vez por dia, durante duas semanas. Utilizar em temperos, refogados  saladas, com dukkah, como "dipping" para pães rústicos, para marinadas e tudo o que vos apetecer.


Para preparar a quente:


- misturar todos os ingredientes numa frigideira de fundo grosso. Aromatizar em lume muito brando, sem deixar ferver, por 20-25 minutos. Deixar arrefecer. Passar por um filtro de café, pano mussolina ou até mesmo um passador de leite fininho. Guardar o liquido num frasco de vidro esterilizado e colocar no frigorífico. Aguenta 1 mês mas não chega até lá.

sábado, 8 de dezembro de 2012

Dukkah - receita

[caption id="" align="aligncenter" width="500"] Dukkah - foto de gourmetmorsels.com[/caption]

Dukkha ( também se escreve Duqqa ou Dukka) é uma mistura de especiarias e sementes típica do Egipto.

Tradicionalmente serve-se com pão pita embebido em azeite ( fica excelente com este azeite picante), que é depois mergulhado na mistura "dukkha". Também pode ser utilizado num sem número de pratos. Ocorre-me colocá-lo em saladas frias ou quentes, gratinados, salpicar sobre umas espetadas de maçã grelhada e queijo feta, misturar no risotto...tantas possibilidades para o dukkha.

Como é normal nestes pratos típicos, eles variam de região para região; adaptam-se aos ingredientes que estão mais à mão. Esta receita  é composta por ingredientes que são comuns a virtualmente todas as receitas de Dukkha que encontrei.

Se forem fazer dukkha, façam logo uma boa quantidade. Preservado dentro de um frasco de vidro, no frigorífico ou num local fresco e seco, aguenta um mês e ficam com esta mistura saborosa e nutritiva sempre à mão para temperar saladas, temperar todo o tipo de carne e peixe e legumes antes e depois de cozinhados.

Faz-se assim:

Dukkha|Receita

Quantidade: +- 100 gramas

40 gramas de avelãs ( ou pistácios ou amêndoas)

30 gramas de pistácios ( ou avelãs ou amêndoas)

4 colheres de sopa  de sementes de sésamo

3 colheres de sopa de sementes de cominhos

3 colheres de sopa de sementes de coentros

1 colher de chá de grãos de pimenta preta

1 colher de chá de sal

Numa frigideira de fundo grosso, tostar os frutos secos e colocar de parte. Depois, tostar as sementes e as especiarias - as sementes de coentros, cominhos e pimenta primeiro, durante 5 minutos, em lume muito brando, ou até começarem a libertar os seus cheiros aromáticos.Depois, colocar o sal e as sementes de sésamo.  Ir mexendo sempre a frigideira.
Tenham cuidado, se utilizarem um processador/triturador eléctrico quando estiverem a triturar os frutos secos, não triturem demais, porque vão acabar com uma manteiga. Fica já a ideia para uma próxima receita: manteiga de frutos secos e especiarias.  Mas hoje, queremos dukkha!

Deixar esfriar. Colocar todos os ingredientes num processador, moinho de especiarias ou utilizar o tradicional almofariz para moer os frutos secos e as especiarias até ficarem num "farinha" grosseira,com alguns pedaços, ou não.

Neste passo podem adaptar a textura ao vosso gosto. Eu gosto de deixar alguns grãos maiores mas podem fazer mesmo uma farinha mais fininha.

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