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quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Pão de Banana e Aveia - porque a Meghan Telpner é a maior.

Pão de Banana e Aveia - porque a Meghan Telpner é a maior.

Esta receita é uma reprodução da receita da nutricionista canadiana, Meghan Telpner. Para além de ser uma das minhas nutricionistas favoritas é também a minha chef de eleição. Sigo o blog dela desde o início quando a Meghan ainda gravava os episódios da Meghan TV na sua cozinha antiga e na sua pequena casa de banho ( não, ela não cozinhava na casa-de banho! Eram vídeos sobre higiene corporal.) A Meghan enquadra a arte da cozinha num conjunto holístico de práticas que considera serem as de um estilo de vida o mais saudável possível.


Meghan Telpner, foto por Catherine Farquharson

Para além de cozinheira e nutricionista a Meghan é uma pessoa realmente inspiradora. Uma advogada de defesa do estilo de vida saudável num todo, ela tem-se tornado uma figura publica com uma mensagem poderosa.

A Meghan cresceu e foi um prazer acompanhar virtualmente este percurso que foi sempre feito com uma ética extrema e uma coerência admirável. Hoje em dia tem um livro best-seller, o UnDiet, uma série de episódios na Meghan TV onde para além de nos ensinar receitas super saudáveis e deliciosas, ensina-nos dicas para levar uma vida mais concentrada e responsável, a todos os níveis. Convida médicos famosos para debater questões pertinentes de forma educada e realista, coisa que muitos “gurus” da saúde falham em fazer. Na minha opinião, isso desacredita-os, quando não estão dispostos a por à prova da ciência as suas declarações. A Meghan, faz o oposto. Para além de escrever livros, gravar vídeos, fazer entrevistas e imensas aparições em vários canais de media, a Meghan também dá cursos e workshops e realiza regularmente eventos online.

Para além disso, as receitas não são aborrecidas nem sem sabor. São infalíveis na execução e ela oferece sempre montes de soluções para substituir ingredientes mais complicados. Acreditem, eu já experimentei muitas e é raro uma receita da Meghs dar errado! Oh não, chamei-lhe Meghs como se fossemos amigas, é o derradeiro sintoma do stalker virtual!

Ok, em frente, você querem é a receita não é? 


servi com puré de frutos vermelho e sementes de sésamo preto. Podem servir simples, com chocolate quente, puré de frutos.
Então, esta receita de pão de banana e aveia só fiz uma vez e só mesmo duas pessoas é que provaram, eu incluída, claro! Ainda não estava bem frio quando já não havia nada. É porque não apetece parar de comer nunca. Para além de ser delicioso e doce, tu sabes que aquilo te está a fazer bem pela quantidade de nutrientes que injectaste ali. Este pão é quase um bolo porque é doce do mel cru que leva mas também há pão doce por isso, este não é nem um bolo nem um pão tradicional mas uma mistura de ambos.

Podem ver a receita original aqui (Banana and Oats Bread) e show some love à Meghan que ela merece.<3

Aqui vai a minha reprodução. Espero que gostem e que não se deixem intimidar se às vezes os ingredientes parecem inacessíveis. Muitas das coisas dá para fazermos nós mesmos e poupar imenso dinheiro enquanto nos certificamos da qualidade daquilo que consumimos.

Por exemplo, a farinha de arroz integral é super fácil de fazer em pequenas quantidades, para utilizar na hora. A farinha de milhete ( buckwheat) , a de aveia, a de amêndoas, são todas feitas da mesma forma. Basta terem uma boa liquidificadora, colocar lá para dentro os pequenos príncipes e pulverizar durante alguns minutos. Depois, passar por um passador e têm farinha de tudo o que vos apetecer. Arroz, lentilhas, feijão, amêndoas, coco, aveia. 
para a farinha de arroz, só precisam de colocar os grãos numa liquidificadora potente e depois filtrar  o resultado com um passador. 

Digam-me por favor se experimentarem a receita e mostrem-me as vossas inspirações. Se adaptarem algum ingrediente e funcionar, partilhem para podermos todos aprender.

Pão de Banana e Aveia | Receita

120 g de farinha de arroz integral*
120 g de flocos de aveia integrais
1 cc de bicarbonato de sódio
2 ½ cc de fermento **
1 cc de canela em pó
3 ou 4 bananas maduras, esmigalhadas
1 chávena de chá de puré de maçã ***
¼ de chávena de chá de azeite virgem extra
2 ovos
1/1 chávena de chá de mel cru
1 cc de extracto de baunilha
1 pitada de sal marinho

    * experimentem fazer a vossa própria farinha. Só precisam do arroz, de uma liquidificadora e de um passador. Não se esqueçam que com este método apenas devem fazer farinha suficiente para usar na hora. Como o arroz não foi demolhada e seco ao calor depois, esta farinha não dura quase tempo nenhum por isso este processo não é bom se quiserem fazer grandes quantidades de farinha para reservar. Utilizem este métodos só para farinha para usar na hora.

    ** para substituir o fermento comprado nas lojas com alumínio, podem juntar bicarbonato de sódio (fácil de encontrar em supermercados, na zona das especiarias) e cremor de tartáro ( bitartarato de potássio, existe à venda em lojas de produtos para confeccionar bolos ou pode sr encomendado online. Também dá para comprar e encomendar em farmácias)

    *** puré de maçã é super fácil de fazer. Eu faço sempre na hora de usar. Só precisamos de maçãs, azeite ou óleo de coco, água e sumo de limão. Ferver tudo e quando a maçã estiver mole de cozida, basta esmigalhar com um garfo.



Processo
  •  Pré-aquecer o forno a 350 C
  • Juntar todos os ingredientes secos num recipiente.
  • Juntar os restantes ingredientes num recipiente à parte. Misturar bem.   
  • Juntar os ingredientes secos com os restantes e misturar bem.
  • Levar ao forno num pirex untado com azeite e polvilhado com um pouco de farinha.
  • Cozinhar por 40 minutos ou até estar dourado por cima.
Opcionalmente podem juntar à massa pepitas de chocolate negro sem açúcar, bagas, frutos secos.




Como tornar esta receita Vegan?
Ovos - Por cada ovo, substitua por “ovo de linhaça”. Faz-se assim, por cada ovo que a recita peça, faz-se : coloca-se uma colher de sopa de farinha de linhaça num recipiente( sementes de linhaça moídas na trituradora!) , depois junta-se 3 colheres de sopa de água e dissolve-se. Refrigerar entre 15 minutos a uma hora.
Mel - Misturar xarope de agave bio com geleia de arroz - bio também, e sempre que conseguirem.




sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Carbonara para Michelangelo

Enquanto desfolhava um guia do Museu do Vaticano para aprender tudo sobre Michelangelo antes da Filomena chegar, Francesco sentia a ansiedade do encontro a crescer. Tinham-se conhecido a noite passada, por acaso, perto das Escadas da Praça de Espanha e tinham passado uma tarde épica juntos. Visitaram a Fontana di Trévi, comeram gelato enquanto pediam um desejo, tiraram fotografias ao colosseum e mais uma data de coisas do roteiro clássico de Roma.

Filomena viajava sozinha e tinha vindo a Roma em busca de arte. Respirava arte aquela mulher e Francesco não queria parecer inculto quando hoje fossem visitar o museu do Vaticano. Mas antes ainda lhe ia mostrar uma das melhores carbonaras da cidade imortal. "Espero que não seja vegetariana", pensou enquanto aprendia mais sobre o pai de David e da Capela Sistina. Ontem Filomena tinha-lhe dito que era o seu favorito e que estava super excitada com o passeio ao museo.

Olhou para a o relógio e viu com um sorriso triste que já estava há espera há uma hora. Optimista por natureza, nunca tinha duvidado que ela visse até àquele momento. Tentou lembrar-se do que é que tinha corrido mal ontem, alguma coisa que tivesse dito. Se calhar só tinha sido bom para ele aquele encontro; se calhar ela tinha-lhe dito que sim ao almoço de hoje só para se ver livre dele. Mas tão depressa pensava nisto como se esquecia logo destas duvidas; é que nestes momentos de hesitação lembrava-se do sorriso e do olhar de Filomena e nenhum deles estava nada assustado. Havia ali uma luz igual à sua. Viria. Estava atrasada por causa do autocarro ou do metro ou estava a escolher a roupa ou qualquer coisa o género. Viria com toda a certeza.

Viu uma morena de calças de ganga azuis e casaco preto a caminhar na sua direcção e o seu coração falhou um passo. Pensou "Filomena, sei così bella. Hoje provarás uma carbonara digna de Michelangelo.






Spaghetti alla Carbonara, receita Romana

Ingredientes para 2

1 dentes de alho
1 cebola pequenas
200 gramas de spaghetti
2 mão-cheias de pancetta, guanciale ou bacon
2 ovos
Sal e pimenta qb
2 colheres de sopa de parmesiano ralado na hora



Modo de preparação

Cozer o spaghetti com um fio de azeite, sal e pimenta até ficar al-dente. Escorrer o spaghetti. Entretanto numa frigideira fritar os pedacinhos da pancetta ou outra carne (bacon, guanciale) num fio de azeite, a cebola picada e os alhos cortados grosseiramente. Juntar o spaghetti cozido à frigideira e mexer bem para absorver os sabores e gorduras da carne. Num recipiente à parte bater os ovos. Depois de batidos juntá-los à frigideira mexendo sempre com muita força. Pode ser necessário juntar mais uma gema extra. Mexer sempre até os ovos estarem incorporados na massa, como um creme, não queremos bocadinhos de ovo mexido a boiar na massa, é suposto ficar cremoso.

Retirar do lume e juntar uma colher de sopa bem cheia de parmesiano ralado. Quando servir, ralar um pouco de parmesiano extra para cima da massa, pimenta preta moída na hora e uma folha de manjericão. Oferecer a Michelangelo.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Caril de batata doce e erva-limão

Quando comecei a escrever o último post sobre o Cambodja, a minha ideia era partilhar a receita que experimentei naquele dia, com o lemongrass em pó que trouxe de lá. Depois perdi-me na conversa e o post cresceu sem a receita. Mas esta vale a pena ser partilhada por isso cá vai!

Quem brilha nesta receita é o lemongrass:  em Portugal, chamam-lhe erva-limão, erva limeira, erva-príncipe e até erva-capim. Disseram-me que fazem todas partes da mesma família, que são citronelas mas que as espécies variam de país para país. Ando a ver se arranjo sementes de lemongrass Tailandesa e Cambojana para plantar, que era muito boa e eu preciso urgentemente de comer um Tom Yum a sério e sem o lemongrass certo não vou lá!

E para recordar uma viagem nada melhor do que uma boa comida simples e saudável com os sabores que vieram na mala; obrigada  ao lemongrass por este toque que nos empresta e saudades aos meus amigos no Cambodja, espero que aprovem esta intromissão!



Caril de Batata Doce com Erva-Limão (Lemongrass)    

♠ 4 pessoas

Ingredientes

8 batatas doces

1 cc pimenta preta em grão

200 ml  de leite de côco

100 g de côco ralado

1 cebola grande

5 colheres de sopa de lemongrass em pó

2 malaguetas vermelhas

1 cs raiz de gengibre ou galangal

2 cc sementes de coentros

1 fio de azeite ou óleo de côco

1/2 cc sal marinho

 

Como fazer: 

Numa frigideira anti-aderente, alourar uma cebola com azeite ou óleo de côco. Dourar também as sementes de coentros. Quando estiver aromatizado, misturar metade do côco ralado. Colocar as batatas doces cortadas aos cubos pequenos. Temperar com sal e pimenta preta e deixar saltear. Colocar em lume brando, tapar e deixar alourar 5 minutos. Colocar depois a raiz de gengibre ou galangal cortada em fatias fininhas.  Cortar as malaguetas em bocados pequeninos e juntar também.

Podem ou não tirar as sementes das malaguetas de acordo com o nível de picante que quiserem experimentar. Se quiserem muito picante, deixem as sementes.








Deitar o lemongrass e o leite de côco até tapar as batatas e deixar cozinhar, em lume muito brando por 15 minutos.

Provar novamente os temperos, reajustar e verificar se as batatas estão cozidas mas rijas. Deitar  o resto do côco ralado por cima e misturar antes de servir.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Cambodja e lemongrass

[caption id="attachment_328" align="aligncenter" width="731"] Lemongrass em pó[/caption]

 

O Cambodja só não deixa saudade a quem não quiser senti-la. Dizem que temos sempre saudades dos sítios onde fomos felizes e todos podemos validar esta pequena Verdade. Ainda é recente a saudade dos lugares e amigos que lá ficaram até sabe-se lá quando; mas na segunda-feira acordei com saudades da comida. Pois.

Não, eu não tenho saudades só das comidas dos lugares mas os sabores são corvos das memórias e espicaçam-mas de uma maneira que me custa calar. E como eu sou a favor da liberdade de expressão, mesmo dos corvos mais atormentadores, entrego sempre tudo à mensagem. Mergulhemos então na saudade e já agora, que se faça um prato para a acalmar.

Em Siem Reap há poças grandes de chuva nas estradas. Há carros, poucos, motas, muitas, tuk-tuks com mota, vários, e bicicletas. Há cavalos e pessoas a pé. Há motas com quantas pessoas elas aguentem e grandes sorrisos para nós. Sorriem também uns para os outros quando estão em sarilhos. Calor e pó, chuva e lama. Tudo no mesmo dia e no mesmo lugar.

Há mercados que só funcionam de dia e outros que só funcionam à noite. Há turistas a montes, atraídos pela imponência de Angkor e em percursos pelo Sudeste Asiático. Vêm ou vão para a Tailândia, Laos, Vietname. Há uma rua "pub street" onde desfilam os turistas e os seus amigos. Com restaurantes, pubs, bares, lojas e massagistas. Tudo pensado para nós, turistas, que os de lá não têm dinheiro para aquilo. Esta rua só visitámos no último dia que lá estivemos porque entretanto havia coisas únicas para ver antes dos pubs temáticos para camones. Mas, no fim, lá fomos jantar com o nosso guia e amigo e estava-se muito bem. Temia uma Khao San road e afinal era tudo muito melhor. Não gostei nada de Khao San road, fico tão deprimida com turistas bêbados descontrolados e senhores de idade respeitável com adolescentes asiáticas pelo braço; parece que a experiência de khao san me traumatizou e agora quando me dizem que temos que ir até à rua-não-sei-quantos porque é lá que estão os backpackers fico sempre naquela. Hum, não.

 

[caption id="attachment_322" align="aligncenter" width="768"] Especiarias no mercado de Siem Reap[/caption]

[caption id="attachment_324" align="aligncenter" width="768"] Queijo e pasta de peixe no mercado de Siem Reap[/caption]

Lá perto desta cidade moderna Cambojana de Siem Reap, há aldeias rurais, bonitas , pobres e com um ar de simples felicidade. Há vacas muito magras mas que andam soltas pela beira do rio que tanto os sustenta, como os desalenta. Estas águas, que ora sobem ora descem, vêm literalmente do Topo do Mundo onde nasce o rio Mekong cujos movimentos ora empurram ora sugam as águas que alimentam esta aldeia. Desce pelo Planalto Tibetano, passa pela China, Myanmar, Laos, Tailândia, volta ao Laos, desce para o Cambodja e vai depois criar o Delta do Mekong para se  transformar em Mar.  A vida nesta aldeias é extraordinariamente regida pelos movimentos do rio.  As rotinas, tarefas e estilo de vida da aldeia adaptam-se ao que o rio lhes trás ou deixa de trazer.

Quando há água para isso, planta-se e transplanta-se o arroz. Vai-se à pesca. trata-se do que se apanhou. Faz-se queijo de peixe. ( Não provei mas não tinha um cheiro promissor. No entanto, acredito quando me disseram " cheira mal mas sabe bem", acontece muitas vezes com coisas gourmets, como aquela.

[caption id="attachment_319" align="aligncenter" width="768"] Recolha do peixe apanhado pelos barcos na aldeia perto de Siem Reap nas margens do Tonlé Sap[/caption]

O rio é também casa. Há lá pelo menos duas grandes aldeias flutuantes. Visitei a de Kampong Phluk e foi como reviver.  Tenho uma estória para contar sobre um rapaz-peixe que lá vive mas essa é para depois.

Em Kapong Phluk, também conhecido localmente, em gíria de turista, como floating forest, o rio é terra, chão, mãe e pai.  Há uma escola, um navio Hospital lá colocado por terceiros - muito obrigada em nome da Raça Humana, se me permitem - um templo e uma casa Comunitária. Tudo construído sobre estacas que se enterram no chão do rio. Há muitas casas e muitas pessoas também. Há algumas casas em terra, perto da escola. Barcos e crianças que tomam banho e lavam a roupa no rio e ficam debaixo de água tanto tempo sem respirar! Há um restaurante com cerveja fresca e muita comida onde quem tiver febre também pode lá ir curar-se com ventosas de vidro. No Cambodja a medicina tradicional é muito semelhante à Chinesa. Há as senhoras do remo, que levam os turistas a passear em pequenas canoas por entre a floresta flutuante.

[caption id="attachment_318" align="aligncenter" width="768"] Kampong Phluk[/caption]

 

[caption id="attachment_317" align="aligncenter" width="768"] Medicina tradicional em Kampong Phluk[/caption]

[caption id="attachment_320" align="aligncenter" width="768"] Kampong Phluk[/caption]

O Cambodja e a zona circundante a Siem Reap deixam saudades porque são lindos. Nem falei de Angkor porque já se sabe que estando em Siem Reap, vai-se lá parar e vai-se ver algumas das coisas mais belas que o Homem inspirado já fez. Mas a pérola deste país é quem lá habita.

Dizer que eles sorriem muito é dizer o que toda a gente diz quando aqui vem, mas dizer as verdades nunca será contra a moda de ser original nas palavras e pensamentos. No Cambodja sorrir é mostrar que se está feliz mas é também um sinal de boas-vindas e eles ainda não se fartaram de mostrar com que firmeza , humilde e satisfação se constroem .

Em Siem Reap, no mercado nocturno havia especiarias em saquinhos de 1 dólar. Havia todas. Lemongrass em pó, ainda bem que te comprei e te trouxe na mala, mal sabias tu que havias de matar a saudade do teu país com a ajuda de umas batatas doces e leite de Côco.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Azeite Picante de Caiena

Há Português que não adore azeite? Se for cru, melhor. Esta receita de azeite picante pode ser feita de duas maneiras: a cru ou a quente.

Se fizerem a cru, demora umas 2 semanas a ficar no ponto; a quente, são 25 minutos mas perdemos alguma da frescura do azeite e das suas propriedades.

Este azeite é ideal para acompanhar uma boa dukkah. Molha-se um belo pão neste liquido, depois na dukkah e temos um snack egípcio com um toque do Mundo.

Esta receita  que se segue não é de lado nenhum. É de todos os povos que gostam de azeite e coisas picantes.

[caption id="attachment_311" align="aligncenter" width="816"] Caiena seca, pimenta rosa, alho[/caption]

 

Para esterilizar os frascos de vidro: lavar em água quente e detergente para a loiça não-tóxico. Colocar os frascos lavados numa panela cheia de água. Ferver em lume brando por 40 minutos.



Receita de Azeite Picante de Caiena


Frasco de vidro esterilizado


250 cl de azeite virgem de boa qualidade


5 pimentas e caiena,secas, com semenentes


2 folhas de louro


2 colhes de sopa de coentros


1 colher de sopa de sumo de lima


1 colher de sopa de pimenta rosa moída de fresco


 Esterilizar o frasco de vidro


Para preparar a frio:


- misturar os ingredientes todos dentro do frasco de vidro, fechar e colocar num lugar fresco e seco. Agitar uma vez por dia, durante duas semanas. Utilizar em temperos, refogados  saladas, com dukkah, como "dipping" para pães rústicos, para marinadas e tudo o que vos apetecer.


Para preparar a quente:


- misturar todos os ingredientes numa frigideira de fundo grosso. Aromatizar em lume muito brando, sem deixar ferver, por 20-25 minutos. Deixar arrefecer. Passar por um filtro de café, pano mussolina ou até mesmo um passador de leite fininho. Guardar o liquido num frasco de vidro esterilizado e colocar no frigorífico. Aguenta 1 mês mas não chega até lá.

sábado, 8 de dezembro de 2012

Dukkah - receita

[caption id="" align="aligncenter" width="500"] Dukkah - foto de gourmetmorsels.com[/caption]

Dukkha ( também se escreve Duqqa ou Dukka) é uma mistura de especiarias e sementes típica do Egipto.

Tradicionalmente serve-se com pão pita embebido em azeite ( fica excelente com este azeite picante), que é depois mergulhado na mistura "dukkha". Também pode ser utilizado num sem número de pratos. Ocorre-me colocá-lo em saladas frias ou quentes, gratinados, salpicar sobre umas espetadas de maçã grelhada e queijo feta, misturar no risotto...tantas possibilidades para o dukkha.

Como é normal nestes pratos típicos, eles variam de região para região; adaptam-se aos ingredientes que estão mais à mão. Esta receita  é composta por ingredientes que são comuns a virtualmente todas as receitas de Dukkha que encontrei.

Se forem fazer dukkha, façam logo uma boa quantidade. Preservado dentro de um frasco de vidro, no frigorífico ou num local fresco e seco, aguenta um mês e ficam com esta mistura saborosa e nutritiva sempre à mão para temperar saladas, temperar todo o tipo de carne e peixe e legumes antes e depois de cozinhados.

Faz-se assim:

Dukkha|Receita

Quantidade: +- 100 gramas

40 gramas de avelãs ( ou pistácios ou amêndoas)

30 gramas de pistácios ( ou avelãs ou amêndoas)

4 colheres de sopa  de sementes de sésamo

3 colheres de sopa de sementes de cominhos

3 colheres de sopa de sementes de coentros

1 colher de chá de grãos de pimenta preta

1 colher de chá de sal

Numa frigideira de fundo grosso, tostar os frutos secos e colocar de parte. Depois, tostar as sementes e as especiarias - as sementes de coentros, cominhos e pimenta primeiro, durante 5 minutos, em lume muito brando, ou até começarem a libertar os seus cheiros aromáticos.Depois, colocar o sal e as sementes de sésamo.  Ir mexendo sempre a frigideira.
Tenham cuidado, se utilizarem um processador/triturador eléctrico quando estiverem a triturar os frutos secos, não triturem demais, porque vão acabar com uma manteiga. Fica já a ideia para uma próxima receita: manteiga de frutos secos e especiarias.  Mas hoje, queremos dukkha!

Deixar esfriar. Colocar todos os ingredientes num processador, moinho de especiarias ou utilizar o tradicional almofariz para moer os frutos secos e as especiarias até ficarem num "farinha" grosseira,com alguns pedaços, ou não.

Neste passo podem adaptar a textura ao vosso gosto. Eu gosto de deixar alguns grãos maiores mas podem fazer mesmo uma farinha mais fininha.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Chá para Cleópatra

“Não tem que comprar, venha só experimentar. De onde são os senhores? Ah, Portugal. Cristiano Ronaldo! A senhora gosta de perfumes? Venha, posso oferecer um chá? Para si, o de Hibisco de Aswan. Como a Cleópatra!” - Os perfumistas artesanais egípcios são uns mestres. Compro!

”Muito obrigada, nunca provei. É uma flor aqui da região?”- pergunto.”Não, senhora. O hibisco existe em muitos países do Mundo. Na Ásia, por exemplo, é muito comum. Mas estes, são plantados em Aswan. Têm a melhor cor, veja, vermelho vivo.” - Coloca um punhado das grandes flores secas num bule, verte-lhes água a ferver por cima e tapa o bule. Tira 3 copos de uma prateleira e diz-me “Para si, só dois cubos de açúcar porque a senhora já é muito doce.” Solto uma gargalhada. Impecáveis. Passa-me um dos copos de vidro com o chá bem quente e algumas flores, agora tornadas maiores e suaves pela água, a boiar. Provo. Hum, que bom gosto tinha a Cleópatra. Como se lesse os meus pensamentos, o perfumista intervém: “ A rainha Cleópatra também usava um perfume igual a um que eu aqui tenho. Quem me ensinou foi o meu pai, que aprendeu do pai dele. Exclusivo da minha loja, a senhora quer experimentar?”

Foi aí que olhei bem para o interior da loja; solta da magia do ritual do chá, observo as prateleiras de frascos, frasquinhos e garrafas de vidro que ocupam todos os espaços livres da loja. Frasquinhos pequenos delicados, pintados com motivos vários, de cores várias. Frascos grandes com grandes quantidades de liquido oleoso. Outros, com líquidos cristalinos. Os líquidos tinham quase todos a mesma cor, dourada. O perfumista levanta-se e começa a trazer para a mesa frascos e frasquinhos. Começa por me oferecer um muito pequenino e muito delicado, cor de rosa, com alguns detalhes em dourado e com uma tampa bicuda. Diz-me “Este frasquinho é para si, mesmo se não comprar nada, é um presente. Agora vamos experimentar.”

No fim, descobri que ele não tinha a certeza nem do chá nem do perfume serem os favoritos de Cleópatra mas depois de provar e cheirar, que me interessam as certezas? Que se lixem os factos, este, é um chá para Cléopatra.

 

 Chá de Hibisco e Galangal

Para 1 litro de Chá

1 litro de água

10 flores de hibisco vermelho secas

4 fatias finas de raiz de galangal

Colocar as folhas de hibisco e a raiz de galangal num fervedor com um litro de água e levar ao fogo. Deixar levantar fervura em lume brando. Ferver durante 15 minutos, sempre em lume brando com o bule tapado. Desligar o lume. Misturar 3 colheres de sopa de mel cru. Tapar e deixar repousar 15 minutos antes de servir. Sentir-se Cleópatra.

Este chá também é excelente servido frio, por isso, se sobrar, podem colocar numa garrafa de vidro, colocar no frigorífico, e beber como chá frio.

[caption id="attachment_286" align="aligncenter" width="816"] Raiz fresca de galangal[/caption]
Fontes:


PS – O Galangal veio aqui parar por três motivos: primeiro porque estou cheia dele fresquinho que trouxe o mês passado da Tailandia e tenho que o aproveitar enquanto está fresco. Segundo, porque este primo do gengibre precisa de ser mais explorado. Tem-se estudado pouco o galangal mas é utilizado desde a antiguidade com muitos benefícios, nomeadamente respiratórios e do sistema imunitário o que é excelente para toda a gente.

Ele tem muitas outras propriedades, aconselho a seguirem os links abaixo para mais informação sobre o galangal e as suas propriedades medicinais.

Terceiro, porque parece que eles no antigo Egipto também consumiam imenso chá de galangal. Não é que é o par perfeito para o Hibisco de Cleópatra?

O Hibisco, não havendo provas de que era o chá favorito da rainha, podia bem ser! As suas propriedades relacionados com a estética adequam-se perfeitamente à taça sumptuosa de Cleópatra. Tem um elevado teor de antioxidantes , promove a saúde da pele, acalma os nervos, acalma o estômago, é afrodisíaco, diurético e muitas outras coisas mais.

 

sábado, 27 de outubro de 2012

Garam Masala de Legumes

Tenho uma grande paixão pela culinária asiática e pelas suas histórias. Ela é mística e mágica e não tem vergonha.

Hoje vou-vos receitar uma adaptação minha de um prato Indiano de Garam Masala de vegetais.

De onde vem esta receita não sei bem mas tenho a certeza absoluta de que já foi feita muitas e muitas vezes um pouco por toda a Índia. Com um ou outro ingrediente ou técnica a mais ou a menos, não vos sei dizer se quem se lembrou dela pela primeira vez estava no Norte ou no Sul, no Este ou no Oeste Indiano. No entanto, posso arriscar que o mais provável é que tenha sido no Norte da Índia onde o uso da garam masala é mais comum embora não exclusivo.

Não me admirava estar a roubar esta receita a um qualquer antigo chef Kashmiri. Então os créditos vão para a generosidade culinária que habita as esferas celestes redundantes do céu e de Terra. Sim.

A garam masala é a estrela principal da história que se come. Então, Garam ( quente, acondimentada/picante) Masala (pasta, mistura) é o nome de uma misturada acondimentada de especiarias. Certo.
Um pouco por toda a Índia esta mistura varia, com especiarias que se somam e outras que se subtraem ao almofariz, e nenhuma versão é considerada mais genuína do que a outra. É flexível assim.

[caption id="attachment_102" align="aligncenter" width="617"] Especiarias comuns utilizadas na Garam Masala Indiana. Foto por Holger Casselmann, utilizado sob a licença Creative Commons com licença do autor.[/caption]

Nesta receita utilizei uma fórmula de garam masala muito comum no Norte da Índia. Para fazer a pasta utilizei as seguintes especiarias:

Canela em pó
Cardomomo verde, castanho e preto
Grãos de Pimenta branca e preta
Sementes de Cominhos
Cravinho

Para fazer a garam masala, tostam-se todas as especiarias menos a canela, que nesta receita vamos usar já em pó. Tostar e moer paus de canela em casa é um processo que requer alguns equipamentos específicos e neste caso, apesar das especiarias inteiras serem sempre preferíveis, este é um dos casos onde faz sentido utilizar a canela em pó.

Para aprenderem a tostar especiarias, recomendo o slide-show no blogue Serious Eats:

Slide Show | How to Toast Spices | Serious Eats.

Todo o blogue é muito interessante para quem gosta de culinária e os slideshows ensinam facilmente.

Depois de tostadas, as especiarias devem ser moídas. Com almofariz, ou moinho de café ou moinho de especiarias. Junta-se no fim a canela em pó, e temos uma garam masala.

Depois passamos aos legumes. Para este receita sugiro ( apesar de funcionar com basicamente qualquer vegetal ou legume):

* As quantidades são a olho e a gosto do cozinheiro. Tanta liberdade, não se assustem.

brotos de espinafre
alho francês
cebolas
cenouras
tomates vermelhos
pimento vermelho
pimento laranja
couve coração
repolho

[caption id="attachment_101" align="aligncenter" width="612"] Garam Masala de Legumes em preparação - a saltear os legumes. Foto Eating Tales.[/caption]

Depois a história segue assim. Numa frigideira grande, deitas uma colher de sopa de óleo de côco prensado a frio e colocas a garam masala. Deixas libertar os aromas por uns minutos e misturas pequenas e finas tiras de raiz de gengibre fresco. Deixas aromatizar outra vez. És paciente e curioso. Provas tudo enquanto fazes, compreendes e sentes a alquimia do que estás a fazer. Mandas umas pepitas tímidas de sal marinho. Juntas a cebola em rodelas. Douras a choradeira e juntas os vegetais.

Primeiro o alho francês, a cenoura, e os pimentos. Depois os tomates, a couve e o repolho e por fim os espinafres.

Já pareces um cozinheiro kashmiri a preparar um roghan josh como manda a tradição: por decreto em honra sagrado, não falhar a ordem dos ingredientes.

Um dia vou contar-vos uma história sobre dois chefs Kashmiri e a receita do roghan josh, uma receita que curiosamente foi adoptada tradicionalmente pelos dois tipos diferentes de culinária Kashmiri, a Pundit/Pandit ( de influências Budistas) e a culinária Kashmiri Islâmica. Apesar de inspirações religiosa diferentes, ambas as culinárias acabaram por adoptar o mesmo prato como um dos pratos que as define culturalmente. Os Kashmiri Islâmicos chegaram mesmo a incluir o roghan josh na tradicional refeição de 36 pratos,Wazwan, a qual é descrita por eles como definição da sua indentidade cultural. Mas os espinafres já estão salteados. Volta para a frigideira.

[caption id="attachment_107" align="aligncenter" width="530"] Preparação do Wazwan - foto de Mahindra Homestays.[/caption]

Então, depois é deixar os verdes saltear um pouco. Deixar saltear 6 minutos a partir do momento em que se colocam os espinafres. Depois, despejar leite de côco, tapar e deixar cozinhar mais 6 ou 7. Provar e decidir se os legumes estão no ponto e saborosos. Terminar com umas salpicadelas de sementes de papoila e coentros picados de fresco.

Se quisesses chamar a esta uma refeição vegetariana kashmiri, podias adicionar-lhe um arroz ligeiramente pegajoso como eles lá gostam. Eu também gosto. Bom apetite.

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Koshary no Cairo

Eu adoro cidades grandes, barulhentas e cheias de palpitações e o Cairo é aquele caldeirão de culturas e costumes, de gente sorridente e resistente que se trata como família. Esta foi a minha experiência muito graças ao Ahmed, um jovem do Cairo que conheci em Sharm El Sheikh e com quem viajei depois para o Cairo. Graças à sua hospitalidade, pude conhecer o Cairo com os olhos de quem lá vive e de que ama aquela cidade. Foi com ele que provei algumas das street foods mais simplesmente deliciosas até à data.

[caption id="attachment_82" align="aligncenter" width="516"] Passeio nocturno no Nilo[/caption]

No segundo dia da visita, muitos passeios e algumas pirâmides depois, voltámos à cidade esfomeados e o Ahmed decidiu que tinha chegado a hora de nos dar provar o Koshary, um dos pratos tipicos do Cairo, cheio de sabor e cor, com alma de vencedor. O Ahmed é apaixonado por aquele prato e tendo em conta o número de restaurantes e bancas de comida de rua que vendem exclusivamente o koshary, posso concluir que é um bem comum no Cairo. Este prato serve de pequeno almoço, almoço, lanche e jantar. É vegetariano e cheio de proteínas. É barato, confortante e muito saboroso. À primeira vista parece uma misturada de alimentos improváveis mas é uma misturada que deixa saudades. Eu já comia duas tigelas.

O local que o Ahmed escolheu para nós foi o famoso Abou Tarek Koshary. É um sítio muito giro porque é frequentado por muitos locais e alguns turistas. Na verdade, quem lá vimos mais foram mesmo locais, grupos de dois e muitas famílias a partilhar juntas o único prato que se serve naquele restaurante. Havia um ou outro turista ocasionais porque este lugar está na rota dos viajantes comilões. O Anthony Bourdain do No Reservations esteve lá uma vez a filmar e falou maravilhas e penso que o colocou um pouco no mapa. Nos fóruns tenho lido muitos viajantes que lá foram parar precisamente por causa do Bourdain. Não sei se o Ahmed conhece o Bourdain mas parece que tem tanto bom gosto quanto ele!

[caption id="attachment_76" align="aligncenter" width="516"] Koshary no restaurante Abou Tarek, Cairo[/caption]

O Koshary é basicamente uma tigela de arroz, lentilhas castanhas, grão e massa servidos com um molho de tomate picante ( Deuses, e que molho!) e cebolas fritas caramelizadas no topo. Os locais dizem que este prato tem uns mil anos de existência e é originalmente um prato Indiano que chegou ao Egipto através da Rota das Especiarias. Mas o Egipto adoptou-o, tomou conta dele e mostrou-o ao Mundo. No Abou Tarek tinham nas mesas dois recipientes, um com vinagre de alho egípcio e outro com um molho picante de chili. Tão bom.

Olhando para ele, não parece muito apelativo mas depois de provares já não olhas da mesma maneira para aquela amálgama proteica e deliciosa de leguminosas, vegetais e cereais. O molho de tomate cheio de cominhos e pimentão apetece comer à colher e quanto às cebolas caramelizadas o único defeito é serem poucas. Quando lá estive em 2011, cada tigela de Koshary custava 10 Libras Egípcias, actualmente equivale a €1,30. Até nos sentimos mal quando vem a conta.

O Ahmed diz que normalmente come duas mas eu fiquei super feliz só com uma. Agora fico a pensar que devia ter comido a outra. Sabes, como quando vais a casamentos e não comes a mousse eno outro dia acordas a pensar nela...

Ah, claro que em breve dou a receita. * V

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