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sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Eating Tales, o primeiro vídeo


Um dos objectivos deste site para 2014 é a produção de uma web série de mini episódios relacionados como a alimentação, a culinária, as viagens e a sustentabilidade.

Há 3 dias ficou disponível o primeiro episódio "Shake the Hand That Feeds You". Este vídeo foi filmado no concelho de Sesimbra, numa horta pertencente à rede PROVE. Neste dia, falámos com o Sr Miguel Gervásio que nos contou como a sua dedicação à agricultura lhe tem permitido ter uma vida mais feliz e mais saudável.

A rede PROVE é uma das crescentes instituições em Portugal que tem facilitado o contacto directo do consumidor com os seus agricultores locais. Ao nos inscrevermos no site, através de um formulário onde podemos indicar a periodicidade dos cabazes de legumes que queremos receber,  podemos adquirir cabazes de legumes locais a preços justos.


Desta forma, trazemos de volta ao nosso prato a identidade dos agricultores e podemos ter mais certezas sobre a segurança daquilo que consumimos. Neste episódio abordam-se também ligeiramente as questões da segurança alimentar, da agricultura biológica e da modificação genética dos alimentos.

Convido-vos a conhecer a quinta do sr Miguel.

E vocês, acham importantes estas iniciativas?  Qual a vossa opinião sobre a importância do consumo de produtos de agricultura biológica?


The Eating Tales , episódio 2 : Shake the Hand That Feeds You

Vimeo HD 

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Livros da minha vida - Crime e Castigo

Hoje acordei com vontade de escrever sobre viagens mas depois quando me sentei mesmo a escrever lembrei-me que ainda não tinha escrito aqui nada sobre livros. Os livros são passaportes para experiências. São portais mágicos para acontecimentos e conhecimento. São softwares para o nosso cérebro, não é? Fazem-nos conhecer vários pontos de vista e com isso tornam-nos maiores.


A literatura é o elo que une isto tudo e não havia nada de ideias nesta cabeça se não fossem os mestres.


Mestres como o que escreveu O Crime e Castigo. Este russo obstinado do meu coração escreveu muitos livros. Gosto muito de quase todos. Alguns não sei bem se os compreendo mas também não sei bem o que é compreender o que quer que seja na Arte. Fazem-me sempre bem ao âmago quando os leio mas é um fazer bem estranho. É um fazer bem que nasce de um sentimento de inquietação que dá a volta. Por ser tanto, fica pequeno, anula-se. É como se se alimentasse  dele mesmo até se consumir por inteiro. Como a Ungoliath de Tolkien.








 Esta é uma imagem da mesma edição do Crime e Castigo que eu tenho. Comprei numa feira de antiguidades por €5. Foi a minha primeira cópia deste livro. Hoje em dia tenho 3 edições diferentes, uma delas em Inglês.
Titulo: Crime e Castigo
Autor: Dostoiévski
Tradução: Maria Franco
Edição: Círculo de Leitores
( não tem data no livro, não consigo constatar de quando é mas penso que da década de

70)



























 


 


 


 


 


 


 


 


 


 


 


 


O intuito desta inquietação vem por bons motivos e quando a personagem principal de um livro é irresistível e vil ao mesmo tempo, não sabemos bem se havemos de ficar do lado dela com aquele amor incondicional que atribuímos aos heróis errantes dos nosso livros ou se havemos de o condenar como ele quer que o condenemos.


Porque ele quer. Ele sabe que o amas e que o vais perdoar de tudo mas julga-se tanto que te obriga a julgá-lo também. Como ele quer agitar-nos com aquelas historias de pessoas boas que fazem as coisas erradas por motivos tão estranhos.


É difícil para um  escritor criar uma personagem que interaja com o leitor. É esta mestria que separa os bons dos excelentes e não há tantos tão excelentes. O Fyodor faz isto como segunda natureza, só o vi a descuidar este envolvimento pessoal da personagem em dois livros mas não lhes fazia falta, era outra coisa que ele estava a fazer ali.


O que eu quero com isto é que vão ler o Crime e Castigo do Dostoiévski.



 


 


 


 


Fiódor Dostoiévski, fotografado em 1879.


(Moscovo, 30.10.1821 – S.Petersburgo, 28.01.1881)


 Bibliografia em Português no Wook.


 


 




 


 


 


 


 


 


 


Comprem nas livrarias pequenas, estão a morrer no nosso país e são lugares tão sagrados.Não vou falar muito mais sobre o enredo nem sobre as personagens; para quem não leu, defendo-lhes o prazer de ir virgens para o romance e quem já leu não precisa de ouvir falar do enredo.


O objectivo seria mais explicar com que tipo de pensamentos e sentimentos este autor nos consegue deixar e como essa profundidade de pensamentos e expressão nos aprofunda também. Se nos deixa mais felizes, é outra questão.


Mais livros em breve.


V

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Chá para Cleópatra

“Não tem que comprar, venha só experimentar. De onde são os senhores? Ah, Portugal. Cristiano Ronaldo! A senhora gosta de perfumes? Venha, posso oferecer um chá? Para si, o de Hibisco de Aswan. Como a Cleópatra!” - Os perfumistas artesanais egípcios são uns mestres. Compro!

”Muito obrigada, nunca provei. É uma flor aqui da região?”- pergunto.”Não, senhora. O hibisco existe em muitos países do Mundo. Na Ásia, por exemplo, é muito comum. Mas estes, são plantados em Aswan. Têm a melhor cor, veja, vermelho vivo.” - Coloca um punhado das grandes flores secas num bule, verte-lhes água a ferver por cima e tapa o bule. Tira 3 copos de uma prateleira e diz-me “Para si, só dois cubos de açúcar porque a senhora já é muito doce.” Solto uma gargalhada. Impecáveis. Passa-me um dos copos de vidro com o chá bem quente e algumas flores, agora tornadas maiores e suaves pela água, a boiar. Provo. Hum, que bom gosto tinha a Cleópatra. Como se lesse os meus pensamentos, o perfumista intervém: “ A rainha Cleópatra também usava um perfume igual a um que eu aqui tenho. Quem me ensinou foi o meu pai, que aprendeu do pai dele. Exclusivo da minha loja, a senhora quer experimentar?”

Foi aí que olhei bem para o interior da loja; solta da magia do ritual do chá, observo as prateleiras de frascos, frasquinhos e garrafas de vidro que ocupam todos os espaços livres da loja. Frasquinhos pequenos delicados, pintados com motivos vários, de cores várias. Frascos grandes com grandes quantidades de liquido oleoso. Outros, com líquidos cristalinos. Os líquidos tinham quase todos a mesma cor, dourada. O perfumista levanta-se e começa a trazer para a mesa frascos e frasquinhos. Começa por me oferecer um muito pequenino e muito delicado, cor de rosa, com alguns detalhes em dourado e com uma tampa bicuda. Diz-me “Este frasquinho é para si, mesmo se não comprar nada, é um presente. Agora vamos experimentar.”

No fim, descobri que ele não tinha a certeza nem do chá nem do perfume serem os favoritos de Cleópatra mas depois de provar e cheirar, que me interessam as certezas? Que se lixem os factos, este, é um chá para Cléopatra.

 

 Chá de Hibisco e Galangal

Para 1 litro de Chá

1 litro de água

10 flores de hibisco vermelho secas

4 fatias finas de raiz de galangal

Colocar as folhas de hibisco e a raiz de galangal num fervedor com um litro de água e levar ao fogo. Deixar levantar fervura em lume brando. Ferver durante 15 minutos, sempre em lume brando com o bule tapado. Desligar o lume. Misturar 3 colheres de sopa de mel cru. Tapar e deixar repousar 15 minutos antes de servir. Sentir-se Cleópatra.

Este chá também é excelente servido frio, por isso, se sobrar, podem colocar numa garrafa de vidro, colocar no frigorífico, e beber como chá frio.

[caption id="attachment_286" align="aligncenter" width="816"] Raiz fresca de galangal[/caption]
Fontes:


PS – O Galangal veio aqui parar por três motivos: primeiro porque estou cheia dele fresquinho que trouxe o mês passado da Tailandia e tenho que o aproveitar enquanto está fresco. Segundo, porque este primo do gengibre precisa de ser mais explorado. Tem-se estudado pouco o galangal mas é utilizado desde a antiguidade com muitos benefícios, nomeadamente respiratórios e do sistema imunitário o que é excelente para toda a gente.

Ele tem muitas outras propriedades, aconselho a seguirem os links abaixo para mais informação sobre o galangal e as suas propriedades medicinais.

Terceiro, porque parece que eles no antigo Egipto também consumiam imenso chá de galangal. Não é que é o par perfeito para o Hibisco de Cleópatra?

O Hibisco, não havendo provas de que era o chá favorito da rainha, podia bem ser! As suas propriedades relacionados com a estética adequam-se perfeitamente à taça sumptuosa de Cleópatra. Tem um elevado teor de antioxidantes , promove a saúde da pele, acalma os nervos, acalma o estômago, é afrodisíaco, diurético e muitas outras coisas mais.

 

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Necessidades Básicas

Há pessoas que parece que nasceram com o Destino traçado para as coisas. As coisas das artes e do conhecimento parece-me que são as que traçam o fado mais forte mas não há  aqui muitas regras.

Outras existem, que vivem até aos 40 sem saber o que é que gostavam de fazer com o tempo que cá têm. E muitas dessas são mais serenas que as outras.  E mais activas, e constroem-se sem sentido de urgência.

Nenhuma das duas tem nenhuma"culpa". São assim e têm olhos castanhos. Fatalidades.

A frustração de ambos vem do mesmo lugar. Negam-se ao que são, por isto ou por aquilo, e não conhecem as suas próprias necessidades básicas.

Passamos a nossa vida a ouvir dizer que temos que ter os pés assentes na Terra. Que ser realista é quase sinónimo de ser pessimista e que não estamos aqui para nos realizar mas para cumprir papeis que esperam de nós. Claro que existe o argumento oposto mas a maioria parece aceitar que seguir os sonhos não é uma abordagem prática à vida. Coisas de artistas. Que são renegados para um patamar de aceitação e excentricidade e se lhes desculpa tudo quando fazem alguma coisa de jeito. Porque todos, até o mais taciturno, precisam de arte e de alimentar os sonhos negados.

Há até religiões e pensamentos filosóficos que nos afastam da ambição de viver e experimentar o Mundo físico mas se estamos aqui? E se somos arte e se vivemos a desejar, que não é mais que sonhar, porquê abandonar o desejo que nos torna fogo?

Então está tudo em descobrir do que é que precisamos para viver e  depois é arranjar maneiro de o fazer.

" Pergunta: - Como é que tens paciência para passar tantas horas a ler?

Resposta: - Como é que consegues não ter? É preciso paciência para beber e comer? "

Necessidades básicas. Cada um tem as suas.

 

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Chinatown, Bangkok : Galeria de Fotos

 

Chinatown foi a primeira "atracção" que visitei quando cheguei a Bangkok.

 Quem já visitou sabe como é.  Aqui somos todos muito exigentes, já se sabe, e nem ninguém gosta muito de clichets mas é que há alguns que encaixam tão bem que até dá pena não calçar a luva. É banal dizer que a Ásia tem um picante aromático tão especial que nos contagia e deixa saudade em qualquer mortal fascinado pela vida e pela raça Humana? Então sou a mais banal das viajantes porque estas são as minhas palavras.

Para nós que amamos a comida, estão por todo o lado escondidas não uma mas muitas cerejas de todas as cores em cima de muitos bolos. Agora nestes próximos dias vou partilhar algumas  receitas, histórias e contos inspirados na Tailândia e no Camboja. Para introdução e como prometido, deixo-vos a minha galeria de flickr com algumas fotos de Bangkok em Chinatown.

Escusado será dizer que não lhe fazem justiça mas penso que mostram um pouco da diversidade. A forma como esta Chinatown está organizada é extremamente eficaz, dividida em pequenos “bairros” de especialidades. Há ruas e ruas onde só se vendem sapatos. E outras onde tudo o que existe no Mundo são ganchinhos para o cabelo. Os preços são acessíveis e é fácil de lá chegar de tuk tuk ou taxi ( o taxi na Tailândia é mais barato do que o tuk-tuk, mas tens que pedir ao taxista para ligar o "taximeter". Gastei imensos bhat em tuk tuks até descobrir que os taxis com "taximeter" eram bem mais baratos.

[AFG_gallery id='2']

Galeria completa no Flickr Eating Tales 

Bangkok não é uma cidade assim tão barata para nós Portugueses. 

A comida e estadia sim, mas os bens de "luxo"- roupas das “lojinhas da moda”, cigarros, bebidas alcoólicas, comidas ocidentais - são mais baratos do que cá mas não assim tanto. Em alguns caos, o preço é semelhante.

Fora de Bangkok é muito diferente e os preços baixam consideravelmente ( excepto no caso das Ilhas e praias – que, claro, são já autenticas máquinas de fazer dinheiro). Até mesmo em locais que não deixam de ser turísticos - como Kanchanaburi e Pak Chong, que são zonas com florestas e paisagens selvagens perto de Bangkok e recebem um número considerável de turistas- mas arranjaram maneira de manter os preços baixos, com qualidade e um ar genuíno. São sítios que o turismo não estragou porque são tão selvagens e puros que nada os tira do seu pedestal de “cidade na selva Asiática” .

Em Chinatown de Bangkok, não há limites para o que se pode encontrar à venda. A nível de comida, senti-me tantas vezes ignorante em relação aos nomes das coisas e é tão bom! Sumos de todas as frutas frescas, todo o tipo de legumes, carnes, peixes, mariscos, ervas, especiarias, molhos, doces, pães, comidas já feitas, em sacos de plástico, em folhas de bananeira, em cascas de côco, em caixas de papel, de cartão, de plástico. Sacos de arroz de todos os tamanhos. Ovos pintados de azul e côr de rosa.

Gosto tanto de me sentir assim, como um burro a olhar para um palácio. Havia de ser burro todos os dias para ver coisas que me pasmassem.

 

 

 

 

domingo, 21 de outubro de 2012

Eating Tales: histórias, receitas, viagens, cultura e activismo alimentar

Eating Tales: O que é isto.

Isto é uma misturada comestível de estórias, histórias, contos, fábulas e rituais de comida no Mundo. Um agregador das aventuras culinárias temperadas com as aventuras literárias de alguém que tem 3 amores: a culinária, a literatura e as viagens. Nasceu da vontade de partilhar  aquelas receitas que se fundem com e parem histórias, que matam amores e curam as dores. Do Mundo, da gente da Terra.
O ET também tem uma forte componente de Activismo alimentar e quer promover a importância de uma alimentação saudável e ecológica como fonte de bem estar pessoal e global. Como ferramenta de evolução social e espiritual.

Aqui vais poder ler como a comida e as tradições culinária do Mundo são pontos de partida para verdadeiras histórias e memórias. Como a comida tem sido mais do que  suporte material de vida mas também fonte de inspiração e elo de união.  Acreditamos que comer de forma reflectida e o mais naturalmente possível tem um forte impacto no nosso bem estar a muitos níveis. Vamos entrar pelos caminhos da sustentabilidade mas também pelos da espiritualidade, incontornável dimensão da nossa cultura.

Vamos partilhar textos, fotos e vídeos de receitas e sugestões culinárias e ideias de como ser mais sustentável. Vou falar das minhas viagens por aí afora e por aqui adentro, contar contos de fantasia para comer e ilustrações de lamber os dedos.

Eating Tales

Vou ainda contar com a participação de outros irmãos artistas  talentosos que vão ilustrar, contar e partilhar as aventuras deles também. Ilustradores, escritores viajantes com a alma nos dedos e chefs inspirados vão juntar-se à conversa e trazer  mais amor e sabedoria. Claro está que aquilo que começou com uma refeição simples, está prestes a torna-se num banquete daqueles. Podes ver mais sobre todos eles no nosso mural de Heróis.

Já deu para ver que ninguém come e cala. Somos todos mais de comer, contar e mostrar. <3

Estamos no Faceboook e gostamos muito de ouvir as tuas histórias também por isso, chega-te à mesa. Por lá também estamos sempre a dar dicas de alimentação saudável e ecológica.  A  revolução pode começar no prato.

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